Tempo de Recomeçar

Tempo de Recomeçar
"Essa história vai emocionar você"

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Sonho de Natal



Brilha a lua no negro céu
Crianças tecem pedidos
Esperam o papai-noel
Anjos pela inocência rendidos

Quero um presente neste natal
A paz e a alegria para todas as crianças
Fadas madrinhas dissipando o mal
Casas enfeitadas de esperança


Que Deus proteja as crianças
Atenda a todos os pedidos
Que a fé seja a herança
Escriturada nos corações adormecidos

Cartinhas de natal há em toda parte
Sonhos em letrinhas depositadas em papéis
A caridade é a maior obra de arte
Sejamos todos papais-noéis

Adotar um sonho é sublime missão
Antidoto contra a maldade
Jesus nascendo em cada coração
Revela a verdadeira irmandade


No céu de natal uma estrela brilha
O sorriso no lábio da criança nasce
A paz semeada nas famílias
Deus revela em nós a sua face

Crianças felizes na terra
Celebram um mundo ideal
O amor no coração impera
Tenhamos todos, um feliz natal!



(Cassiane Schmidt)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Presente de Natal


Desperta do que parecia ter sido um sono de mil anos, encontrei o olhar sorumbático de vovô me fitando, olhos de mestre, como a avaliar o aluno aprendiz. Lembrei-me do primeiro dia de aula, quando cheguei ao colégio, numa manhã invernal, sentia um tremor nas mãos e um medo do novo mundo que se apresentava, o olhar da professora que fitava aos alunos como num batismo inicial, um reconhecimento da turma, assim também, parecia vovô a me olhar, com olhos de reconhecimento. Mamãe sempre diz, que eu chorei muito em meu primeiro dia de aula, nada importava mais para mim do que brincar, brincar e brincar no livre e venturoso chão da infância. Do mesmo modo, não sei por que, sinto-me, agora, invadida por esta sensação novamente, como se estivesse caminhando numa cidade desconhecida, longe das pessoas queridas, num universo novo. Terminado o breve monólogo, voltei-me a figura de vovô, que agora, sorri levemente para mim, como se estivesse entendendo meus sentimentos, decifrando e achando graça de minhas solitárias indagações. Uma suave brisa beijou-me a face, senti um frescor intenso percorrendo todo o meu corpo, um cheiro doce das laranjeiras, um cheirinho de grama cortada invadia-me os sentidos, por alguns breves e intensos momentos vi-me menina, solta, embalando-se num balanço que meu pai fizera para mim. Vi-me andando com minha bicicleta, jogando bola. Ah, que maravilhosa sensação! Acho que estou sonhando!
Aos poucos minha memória começou a inquietar-me os pensamentos, lembrei que vovô havia morrido há um ano, lembrei-me da última vez que vi o olhar do meu marido, ele acenou para mim com o costumeiro “vai com Deus”! Eu estava indo para a faculdade, chovia muito, o vidro do carro estava embaçado, lembro de ter ficado irritada com isso. Durante o percurso liguei para minha mãe, conversamos alguns minutos, desliguei, combinamos de nos falar no dia seguinte!
A estrada estava lisa, andava devagar com o carro, de repente, vi um enorme caminhão invadindo a pista, vindo em direção ao meu carro, senti um forte impacto e...meu Deus, o que aconteceu? Onde estou? Vovô diga-me alguma coisa!
- Você morreu querida, já faz alguns dias que eu estava esperando você acordar.
- Morri! E morrer é assim, tão rápido? Tão estupido? Eu preciso me despedir do meu marido, prometi ligar para mamãe! Tenho prova na semana que vem...
- Você já se despediu de todos, a vida é uma longa viajem, sempre estamos ensaiando despedidas...
- Mas...
- Fique calma, com o tempo você vai se acostumar, assim como eu me acostumei.
Senti, neste momento, um pesar profundo, encobriu-me a face o véu da tristeza.
Estava num quarto, parecia um leito de hospital, vovô estava tão bonito, parecia bem mais moço. Olhei pela janela e vi um imenso jardim, pássaros de todas as cores dançam valsa no céu azul. Lembrei-me de mamãe e de meu marido, cada vez que lembrava deles a dor invadia meu peito. Vovô segurou minhas mãos e levou-me para vê-los! Andamos um pouco até chegar num lindo portal, atravessamo-lo e, como num passe de mágica, estávamos na casa dos meus pais.
Vi minha família reunida em casa. Estavam todos a mesa jantando, era noite de natal. E eu tinha que morrer logo perto do natal! Não podia ter sido em Janeiro...
Mamãe estava bonita, vestia uma blusa azul que eu lhe havia dado. Meu marido com os olhos embargados fazia a oração de natal, nesta hora, os pratos de comida, sem exceção, foram temperados pelas lágrimas que deslizavam sobre as tristes faces. Minhas irmãs abraçavam-se, sentindo a ausência dos meus braços. Meu marido, vez por outra fitava sua aliança, como a acariciar todas as nossas lembranças...
Vovô alertou-me que teríamos que partir, pedi para esperar até a entrega dos presentes, de certa forma nutria a esperança de que alguém me veria, entregaria o meu presente. Todos apagaram as velinhas do pinheirinho, ficando uma para trás, era a minha vela! A vela solitária chorava sua cera sobre o último embrulho de presente. Aproximei-me do pinheiro de natal e soprei minha vela, neste momento sentia vozes me chamando, não sabia de onde vinha, ate sentir uma sensação de estar caindo de um abismo, aos poucos fui abrindo os olhos...e vi meu marido apertando meu dedinho do pé:
- Acorda dorminhoca, hoje é natal!
- Acordar? ....sim, sim, quero ficar acordada para sempre!!!


Obrigada meu Deus por este presente de natal, minha vida....minha vida!





(Cassiane Schmidt)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Duas chuvas/ Tragédia em Santa Catarina




Chovem duas chuvas:

Uma de água e outra de lágrimas
Uma de água e outra de lama
Uma de água e outra de casas
Chuvas que deixam crianças sem cama

Chovem duas chuvas:

Uma de água e outra de fome
Uma de água e outra de azar
Uma de água e outra sem nome
Chuvas que levam em suas águas a paz

Chuvas de desespero, de tristeza
Chuvas de solidão
Chuvas em cima da mesa
Terra no lugar do pão

Esta chuva que não cessa
Deixando tantos ao léu
Pedidos, súplicas e promessas
Olhares aflitos esperam a ajuda do céu

Corpos engolidos pela terra
Sem tempo de se despedir
Avalanches invadem sem espera
Vidas convidadas a partir

No olhar da menina passeia uma lágrima
A chuva insolente beija-lhe a face
Pezinhos descalços no chão de lástimas
Na inocência das crianças a esperança nasce


Chega de tanta chuva!
Que reine o sol e a luz
A fé do povo se curva
Aos pés da santa cruz!


Deus!
Há muito sofrimento nestas paragens
Lança sobre os desabrigados a tua proteção
Dá para Teus filhos a coragem
Que encontrem na tristeza
A fortaleza da oração


Deus!

E aqueles que se foram
Levados pela terra e pela água
Segura-os em Tuas mãos
Que tenham no céu uma morada
E a paz eterna reine em cada coração


E para aqueles que ficaram
Muita força e coragem
Aqui por onde as águas passaram
As terras desmoronaram
A fé, agora pede passagem!



(Cassiane Schmidt)

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Bem-te-vi



Bem-te-vi...
Bem-te-vi...

O que vês tão bem assim?
Diga-me! Bendito pássaro
São anjos tocando clarim?
Ou estrelas dançando no espaço?

Mas o que tão bem viste?
Para tanto repetir...
Nesta tarde triste:
Bem-te-vi...bem-te-vi...

Revela teu segredo
Para que eu possa entender
Qual o enredo
Deste aclamado bem-querer

Voa passarinho, voa...
Neste céu cinza de nuvens
Tão certo quanto tuas asas
É o destino que cumpre

A tarde triste morre
Cabisbaixa nas luzes que extingue
A chuva tristonha que escorre
O teu canto cinge

Bem-te-vi:
Dá-me carona em tuas asas,
Para juntos bem nos ver
Quero o céu como casa
E o teu segredo conhecer

Mas se não puderes, não faz mal
Pior que viver com pés presos no chão
E deixar de ouvir tua doce canção


Bem-te-vi....
Bem-te-vi....


(Cassiane Schmidt)

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Poema




Poemas, o que são?


Fuligens esquecidas nas chaminés do tempo
Sonhos – Medos - Lenços



Letras de salvação
Terra inocente de Marias e Joãos
Tudo é poesia no coração de quem sente.

Poema,
É feito de tudo aquilo que penso
Mas o pensar importa menos que o sentir,
Pois é só quando sinto, que me sinto,
E sou capaz de saber a hora certa
que o pensamento sentido pede para nascer...



O poema está no olhar puro da criança,
Está nos letárgicos passos do andarilho, é feito de sucos, sumos, vultos;
Nasce da dor, da alegria, ou simplesmente, das mãos frias.
Poemas escuros e claros, tão raro os raros...
É assim o poema,
O indumentário da alma, a escritura do amor, algumas vezes da dor;
O parto dos sentimentos, retrato de momentos
Mas onde esta o poema?
- Nas asas do pássaro?
- Banhando-se em lágrimas?
- Nas horas que passam?
- No vento que passou...?
Não sei onde ele está!
Onde escondem-se os poemas, pergunto, onde?
O poema Parte antes mesmo de chegar
Está em tudo, vive em vigília na alma do poeta,
atocaiando o momento certo para nascer, e nascendo,
vive e goza a eternidade de breves momentos,
Figurando-se em múltiplas faces no olhar de quem o descobre,
redescobre e o batiza,
o leitor.

Esperem!!!
Um poema acaba de passar por aqui...

Poemas, pomar de versos
Vinho tinto de letras
Degustando o universo
Anacoluto de surpresas

Poemas testemunha ocular
Inventário de sensações
Acidente vascular
Rebusca de emoções

Poemas de cores aladas
Esconde-se atrás do muro
Na chuva beijando a calçada
No esconderijo do olhar escuro

Poemas, aquecidos em ninhos
Caminhos de flores
Chorando os espinhos
Exorcizando agoures

Poemas, ilusão de versos
Tessitura de letras
Afogam e submersos
Talham as palavras crespas

Poemas feitos de mar
De vento e arestas
Conjugam o verbo amar
Em todos os tempos
Sem pressa, sem pressa



(Cassiane Schmidt)

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Tristes horas...



Do que são feitas essas horas tristes?
Meu coração quer saber!
De onde vem essa melancolia que aflora
Cobrindo de tristeza todo o ser?

De onde vem esses minutos de agonia?
Paisagens em preto e branco
Nos olhos a negra letargia
Na alma, cenário de desencanto

A tristeza chega de mansinho
Ocupando as cadeiras do coração
A melancolia constrói seu ninho
Fotos e memórias mergulham na solidão

Sobre as tristes horas vagueiam
Sorumbáticos versos de saudade
Sentimentos absortos passeiam
Pelos vales inóspitos da verdade


Por quanto tempo ainda lamentar-se-á a languidez das horas?
Horas que passam devagar, devagarinho passam
Mas onde está a minha paz agora?
Brincando nas asas de um fugidio pássaro?

O poeta me vigia na noite escura
Espreita-me algoz, os versos dolentes
Rimas pobres e ricas, rimas puras
Retratam as cinzas das horas tristemente

E quando a andarilha tristeza vai-se embora
Sinto tocar-me a face os benfazejos ventos
A alegria novamente mora
Na terra virgem do tempo...


Cassiane schmidt

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Há tanta vida no Pessoa



Chove? Nenhuma chuva cai



Chove? Nenhuma chuva cai...

Então onde é que eu sinto um dia

Em que o ruído da chuva atrai

A minha inútil agonia?

**

Onde é que chove, que eu o ouço?

Onde é que é triste, ó claro céu?

eu quero sorrir-te, e não posso,

Ó céu azul, chamar-te de meu...
***

E o escuro ruído da chuva

É constante em meu pensamento.

Meu ser é a invisível curva

Traçada pelo som do vento...

****
E eis que ante o sol e o azul do dia,

Como se a hora me estorvasse,Eu sofro...

E a luz e a sua alegria

Cai aos meus pés como um disfarce.

*****

Ah, na minha alma sempre chove.

Há sempre escuro dentro de mim.

Se escuto, alguém dentro de mim ouve

A chuva, como a voz de um fim...

(Fernando Pessoa)

terça-feira, 21 de outubro de 2008

As faces que o tempo revela



Numa pequena aldeia longe da civilização, havia um lindo rebanho, com abundantes e verdes pastagens; Neste rebanho havia uma grande família de cordeiros, todos liderados pelo cordeiro mais velho, ele era uma espécie de conselheiro dos mais jovens; Todos viviam em paz e harmonia, eram corteses uns com os outros e viviam num clima benfazejo e de muita paz. Certa feita, o grande rebanho foi surpreendido por uma visita inusitada, apareceu no alto do grande vale um lindo cordeiro, sua lã alva e formosa chamou atenção de todos, sem dúvida, era de uma beleza singular e, por isso, todos os outros animais ficaram boquiabertos diante do imponente visitante.Chamaram o sábio do rebanho para contar-lhe o ocorrido; O sábio muito gentil perguntou ao recém chegado: - o que te trás por estas paragens, jovem e belo cordeiro?Então com uma visceral oratória e primada educação, o visitante respondeu ao sábio:- vim de muito longe, perdi-me de minha família e fiquei só neste mundo, peço clemência nesta hora difícil e imploro que me aceites neste tão belo rebanho!O velho e bondoso líder refletiu por alguns instantes e aceitou o pedido do forasteiro;
Nos dias que se seguiram, tudo começou a mudar na rotina do grande rebanho, o garboso visitante começou a criar pequenas intrigas entre os demais cordeiros, era gentil e educado e, consequentemente, passou exercer influência sobre os demais, semeando dissimuladamente a discórdia entre todos. Enquanto o caos ia se instalando no rebanho, entre brigas e discussões, o velho sábio começou a perceber que seu rebento estava cada vez menor, e a cada noite um ou mais cordeiros desaparecia! Além do que, o comportamento do tão simpático visitante parecia ser, em alguns momentos, dissimulado!
Com o passar do tempo, o simpático e educado cordeiro, passou a ter um comportamento cada vez mais instável, revelando pouco a pouco sua verdadeira identidade, o que deixou o líder do grupo desconfiado!
Foi então que o velho sábio decidiu ficar em vigília na noite seguinte, para tentar descobrir a causa do desaparecimento dos cordeiros, já que o fato ocorria somente à noite!A noite se aproximava e todos os cordeiros foram dormir, apenas o velho sábio ficou escondido a observar o que acontecia, foi então que ele surpreendeu-se ao ver o visitante, o cordeiro mais belo que já tinha visto, arrancou sua máscara, revelando sua verdadeira identidade, era um lobo!
O velho sábio ficou horrorizado com a cena que acabara de presenciar, o lobo algoz, na surdina da noite, atacou e devorou um cordeiro que dormia! Desfeita a farsa, assim que amanheceu, o velho sábio reuniu todo o rebanho e contou-lhes a verdade, alguns se revoltaram contra o velho conselheiro, alegando que ele permitiu a entrada do intruso no rebanho! Outros planejavam a prisão do lobo, foi então que um dos cordeiros perguntou ao velho sábio: - Mestre, qual o antídoto para não sermos mais enganados por algum lobo que se vista em pele de cordeiro? O mestre pensou por alguns instantes, e respondeu ao jovem cordeiro: - O tempo! Não há nenhuma máscara que resista ao implacável tempo! O tempo tudo revela, é o conselheiro mais sábio que existe!Todos aplaudiram o mestre e bendiziam o remédio contra todos os males, todas as farsas, o santo TEMPO!
Ao perceber que havia sido descoberto, o lobo fugiu pelos vales e ninguém mais o viu por aquelas paragens, assim a paz voltou a reinar naquele rebanho!Ninguém mais soube do paradeiro do lobo! Quem sabe ele não está em algum lugar bem próximo de você?
Fique atento, ele pode estar no seu trabalho, na sua repartição, entre seus amigos, até mesmo na sua casa!
Lobos há por toda a parte, fique atento aos sinais, pois um dia, inevitavelmente: as máscaras caem!!!






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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Roteiro da morte



No abismo de outros mundos almas calam-se inertes
Corpos cobertos de flores cobrem campos santos
Na vaga do mar lancei uma prece
As ondas levaram memórias dos anos

Janelas do futuro se fecham antes da hora
A morte declama a despedida em tristes rimas
Lembranças reféns da memória
O destino o obituário assina

Sinos e velas anunciam o cortejo
Destino esparso em tom de melancolia
Na sala a morte brinda o triste ensejo
No sarau funéreo o choro é melodia

Nas mãos frias repousa o rosário
Maquiagem de tristeza encobre as faces
Sobre o leito a incerteza do itinerário
No céu uma estrela nasce

As pás do destino preparam a cova
Arquitetura dolente de desencanto
À tarde triste e chuvosa chora
Vida encoberta por negro manto

O anjo da morte iniciou a viajem
Levou a vida pelas mãos
Aportaram na estação da eternidade
Abençoados por uma oração

A morte caminha pelas ruas do destino
Os ponteiros do relógio ensaiam despedidas
Pétalas de flores indicam o caminho
Último suspiro, hora da partida!



(Cassiane Schmidt)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Ausência



Ausência, palavra triste, sombra de dor que envolve, que faz sangrar as lembranças;
Não há desafio, para não dizer dor, maior que a sensação da perda de alguém que amamos. A vida pode ser comparada a uma grande estação de trem, uns há que chegam, outros que partem, a vida não pára. Somos peregrinos numa terra de provações; O amor é, sem dúvida, a mais intensa sensação que podemos sentir, contudo, o amor implica no exercício da renúncia, em algum momento da vida passaremos pela abstinência do amor, pelos caminhos da dor, ir-se-á provar o cálice amargo da saudade, uma ferida aberta no coração!
É preciso coragem para amar, mais do que qualquer outra coisa!
Mesa vazia, porta-retratos, histórias, fotos, lembranças temperam a saudade, embriagam a dor, e nada, nada mais preenche o lugar, a saudade de alguém é como carta destinada a quem se quer e não mais se têm, é querer alcançar a lua, roubar uma estrela, voltar a um tempo que não mais existe, a não ser no coração de quem ousa recordar. Provar da própria saudade é como pintar na memória o retrato de quem se foi, fotografar com a alma vultos e cheiros espalhados pela casa...
A morte é como ave noturna, traiçoeira, espreita-nos pelos cantos da noite, aborta o dia! Cruel, leva pelas mãos da eternidade os nossos companheiros de jornada, ficamos para trás, olhos perdem de vista, cegam a alegria, o coração passa a enxergar.
É preciso viver intensamente ao lado das pessoas que amamos, dizer o quanto elas são importantes para nós; Porque as pessoas estão aprendendo a economizar amor? Economizar beijos e abraços verdadeiros? Estamos aposentando o carinho, esquecendo que o tempo voa como pássaro selvagem, e que não se pode pará-lo.
Mergulhar no profundo das lembranças, significa bordar as recordações em linhas de saudade no frágil tecido da vida.
Amemos sempre e cada vez mais, amemos com mais qualidade, amemos até compreendermos o verdadeiro significado da palavra amor, e talvez nesse dia, poder-se-á compreender que o amor não morre, que a separação não é definitiva, estamos ligados, eternizados pelos ventos do destino, mais cedo ou mais tarde, voltamos a nos encontrar!
Não há chegada, nem partida definitivas, há simplesmente a experiência de aprender as lições que o amor pode nos ensinar!


( Cassiane Schmidt)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

UM por todos e Tudo por UM / Eleições 2008


Hoje consigo entender a velha frase, que exaustivamente, vinha ouvindo pela tevê nos últimos dias: “Um voto faz toda a diferença”!
Um voto? Não dava importância ao adendo, e confesso que não acreditava que 1 voto pudesse fazer diferença alguma!
Ah, essa minha dificuldade com números e estatísticas!
Mas quando vi o sonho do meu pai enterrado em seu olhar azul, que de tristeza, cinza ficou, então sim, da pior maneira possível, descobri que 1 voto faz toda a diferença!
Mas pior que perder a eleição por 1 voto, é reconhecer a falsidade, as traições que envolvem toda uma campanha eleitoral!
Parabéns meu pai, voçê fez a sua parte, voçê foi honesto, sua campanha foi limpa! Numa campanha eleitoral, acreditem, o dinheiro fala mais alto! Mas a culpa não é só dos polílicos não!
O povo é quem faz o político corrupto! Ao vender seu voto, ao vender sua cidadania!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Circo


O circo chegou!
Abrem-se as tendas da imaginação
Passaporte para outros mundos
No céu anjos ensaiam uma canção!

É hora de alegria!
Lágrimas são desviadas para o mar
A tristeza foi-se embora
Nada mais importa!
A não ser sonhar e sonhar

No picadeiro encantado a alegria faceira dança
Mundos invisíveis revelam segredos
O sorriso é roteiro nos lábios da criança
Uma mágica faz desaparecer os medos


Criança feliz é cântico dos cânticos cá na Terra
Palhaços são anjos de luz
Fábrica de sonhos, deliciosas quimeras
Magia de circo que seduz

A cada sorriso de criança uma estrela nasce no céu
Malabaristas equilibram o tempo com as mãos
Poema de alegria declamado pelo menestrel
Nasce uma flor de contradição

As luzes se apagam!
Um último olhar em vão
Crianças indo embora
Levam o circo no coração!



(Cassiane Schmidt)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A síndrome do "Ctrl C"

A valorização do conhecimento está mais do que nunca, em evidência na sociedade hodierna. Acredito que em tempo algum de nossa história, a busca pelo conhecimento científico a ser produzido e desenvolvido nas escolas e Faculdades do Brasil necessitou de tamanho apoio, de mais completo incentivo no combate da triste realidade do plágio no meio acadêmico/escolar.
A busca pelo conhecimento faz parte da realidade de milhares de estudantes, a internet disponibiliza uma infinidade de recursos para pesquisas escolares. O que preocupa, contudo, é a falta de critério nos limites estabelecidos, Que critérios adotar na obtenção das fontes de informação? O que é considerado plágio? O que a lei prevê nos casos de violação dos direitos autorais? Qual o papel do professor na conscientização dos alunos?
Nunca foi tão fácil o acesso à informação, o conhecimento é algo instantâneo. O google é um dos sites mais procurados para fins de pesquisa, a Wikpédia também entra no ranking dos mais procurados, estudantes buscam nos sites, trabalhos das mais diversas áreas do conhecimento, o que importa destacar, é a falta de critério, a falta de ética de alguns indivíduos. Pessoas há que de maneira irresponsável, copiam textos na íntegra assinando como se fossem de sua autoria.
Os alunos desde o ensino fundamental devem ser orientados na elaboração de seus trabalhos escolares, a discussão acerca do plágio deve ser algo permanente nas escolas. Muitas faculdades sofrem com as sombras do plágio, estudantes simplesmente reproduzem trabalhos alheios, sem menção do autor, sem a bendita citação.
A grande facilidade a textos acadêmicos na internet, vem sendo considerada uma espécie de “salvador da pátria” para alguns estudantes que optam pelas facilidades do CTRL C e CTRL V. A palavra Plágio, como define o dicionário Aurélio, quer dizer: oblíquo, indireto, astucioso. A constituição prevê a Lei nº 9.610/98 - Direitos Autorais, esta Lei regula os direitos autorais, entendendo-se, que os direitos de autor e os que lhes são conexos devem ser preservados.
O Código Penal em vigor, no Título que trata dos Crimes Contra a Propriedade Intelectual, prevê o crime de violação de direito autoral – artigo 184 – que traz o seguinte teor: Violar direito autoral: Pena – detenção, de (3 três) meses a 1 (um) ano, ou pagamento de multa. Além disso, há também casos de processo por danos morais, muitos processos já foram instituídos a favor de vitimas de plágio no Brasil.
Seja um poema, uma letra de música, uma fotografia, até mesmo uma simples frase, deve vir acompanhada do nome do autor. Infelizmente o resultado da disseminação de conteúdos na internet, está gerando uma crise na educação, um atraso na produção intelectual dos estudantes. A educação está sendo ultrajada diante da cara de pau de alguns estudantes que subestimam a inteligência dos professores, e pior, subestimam sua própria capacidade de produção. Os professores precisam ficar atentos, e jamais compactuar com casos de cópias de trabalhos alheios, trabalhos com indícios de cópia, sem a devida citação, deve imediatamente ser recusado pelo professor. Se apropriar da produção intelectual de outrem é um ato de covardia, quem pratica esse vandalismo intelectual, está assinando seu atestado de incompetência; é querer as pernas do atleta para ganhar a corrida!
O plágio, portanto, deve ser encarado de maneira rigorosa nas escolas e universidades, os professores representam um forte aliado no combate a pratica ilícita da apropriação intelectual alheia. A pesquisa educacional é altamente recomendada na realização dos trabalhos propostos em sala de aula, contudo é preciso compreender, caros leitores, a abissal diferença entre buscar referências bibliográficas que venham a fundamentar o conteúdo proposto, e a simples cópia da opinião de outro autor como sendo a sua.
A internet é um mecanismo relativamente novo, sua utilização vem sendo realizada de maneira irresponsável! Pais e professores precisam ajudar os alunos a lidar com esse recurso de maneira satisfatória, orientando pesquisas, impondo critérios, explicitando a condição indispensável de citar autoria na obtenção de qualquer texto.
É preciso conscientização, é preciso ética! Nada mais contraproducente que a cópia, pois ela em nada acrescenta no desenvolvimento das habilidades cognitivas, ao contrário, ela alimenta a preguiça intelectual de nossos alunos! Se algumas medidas não forem tomadas, estar-se-á caminhando para uma nova era, onde nada se cria, tudo se copia.
A pirataria intelectual precisa ser freada, pois ela contamina todo o campo do saber, corrói a engrenagem do conhecimento!Cada indivíduo precisa desenvolver suas próprias habilidades, buscar estudar, ler muito, para conseguir desenvolver sua capacidade intelectual, ou seja, andar com suas próprias pernas! Assaltar a produção intelectual do outro, é perder a maravilhosa experiência de saber fazer, aquilo que o outro, trabalhando fez!



(Cassiane Schmidt)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Tempo

Flores de papel enfeitam o jardim
Nuvens no céu ensaiam tempestades
Elfos em serenata tocam clarim
A saudade vagueia em alucinantes viagens

Prelúdios da noite seduzem o dia
O sino da igreja lembra-me das horas
A melancolia com as lembranças brinda
Sonhos esquecidos onde ninguém mais mora

Letras e músicas na alma deixam rastros
O destino borda as marcas do tempo em fino tecido
Crianças presas em porta-retratos
Congelam corpos adormecidos

Quero parar o tempo com as mãos
Ressuscitar folhas de calendários
Ouvir aquela velha canção!
Encontrar nos braços de mamãe meu relicário

De manhã, cheiro doce, pés no chão
Vida tecida pelas mãos da felicidade...
À tarde: desajustes, reajustes de tempo, contradição
Bolo sem velas partilha a idade...


À noite: cortejos de sombras conduzem o passado
Cartas sem destinatários convidam a partir
As horas crucificaram o tempo calado
Hora de dormir...


( Cassiane Schmidt)

terça-feira, 16 de setembro de 2008



“A arte desconhece limites, os limites estão na mente do artista, superar os limites é transcender o medo de fracassar. Quem não tenta, fracassa por antecipação”.

( Cassi)