Tempo de Recomeçar

Tempo de Recomeçar
"Essa história vai emocionar você"

segunda-feira, 8 de março de 2010

Não vá



Não vá. Não agora, não nesse instante
Espere um pouco mais
Do caos feito de nós,
entre


Não vá!
É tarde, chovem-me os olhos
O vazio que desejas é escuro
Desfaz esse olhar agreste
Estes braços feitos de muro
Não vou abrir as portas!
esquece

Sua voz combina com meu cheiro
Meu olhar encaixa-se no teu beijo
Teus braços são do tamanho do meu medo
Minhas mãos servem nos teus vícios

Espere as janelas acordarem
Em nossos lençóis.
Vamos conversar com as flores
Que plantamos juntos.
Colecionar sorrisos a sós
Aquecer o frio dos invernos
Mas que inferno, Não vá!
Feche a porta.


As chaves estão quebradas
Dentro dos ossos da rotina
Vamos beber vinho?
Guarde a despedida no armário
Na velha caixa de naftalinas


O café está na mesa
Há dois lugares,
E uma tristeza.

Pra quê essa história de despedida,
Se o mundo acaba na esquina
De nossas exatas medidas?

É cedo para partir
Sempre será.
Vamos beber chuva juntos
Arranhar os lábios na areia do primeiro beijo
fique
Estenda seus braços sobre meus desejos
entre

Espere um pouco mais,
Só mais um minuto
Entre no quarto e volte sorrindo
Vou arrancar os espinhos do teu olhar
Aspergir de tua voz doçura
Vou quebrar tuas roupas sujas
Arranhar seus discos e cuspir algemas
Dentro de nossas figuras

Vamos aguardar juntos o fim
Ele não vai nos encontrar.
Vou convencer o destino a esquecer-nos
Não há outra saída
Senão a porta de entrada
Vou apagar as luzes
Desfazer essas malas
Fingir que está tudo bem
Hoje você dorme comigo,
Amanhã também.


- Boa noite, querido.
- ...
´
(Cassiane Schmidt)

domingo, 7 de março de 2010

Nascimento da poesia



Na velha casa, na florida e estreita rua, mora um poeta. A casa é antiga como os cabelos dele.
Passo os dias a observá-lo, às vezes, ele me parece tão próximo, quase dentro de mim.
Ele não sabe que eu existo, tampouco desconfia da inquietação que me provoca.
Todas as tardes vejo-o debruçado sobre a velha janela, compondo versos feitos de olhares distantes.

certa feita ouvi-o recitar uns versos, eram lindos versos, escondi-me no vão do muro que nos separa, e fiquei quieta, ouvindo as palavras frágeis que dançavam na voz do poeta.
Ele declamava, ria, chorava, e depois calava tudo a sua volta num silêncio reparador.

Um dia a curiosidade e inocência de menina, levou-me até a morada do poeta, com coragem eu bati levemente na porta, que se abriu feito um sorriso, com o olhar dele assentido minha presença, feito um abraço.


Sentados na varanda, contemplamos o final de tarde daquele dia em que nos conhecemos.
- O que te trouxe aqui, menina?
- Vim descobrir do que é feita a sua poesia, pois quando eu a ouço, meu dia se enche de alegria e meu coração se acalma. – Respondi, sorrindo com os olhos.


Ele também sorriu com os olhos e depois com os lábios e por fim, sorriu com palavras, dizendo-me:
- Menina, a poesia é feita de tudo que podes imaginar, das coisas belas até das feias, de tudo que nos toca alma, de tudo que nossas mãos não podem tocar; como as asas dum pequeno pássaro sobrevoando o azul do teu olhar.


A poesia é feita da cisma do poeta em dizer aquilo que ele leva na alma, isso implica dizer muito com quase nada.
Depois em silêncio, meu amigo revirou-se inquieto buscando a paisagem ao nosso redor e disse-me:


- Olhes naquela direção, lá onde o sol se deita, me diga o que vês?


- Vejo o sol se pondo, árvores, um bando de pássaros, as montanhas, o rio e o céu...


- Pois bem, vou dizer-te o que vejo, desse modo, você poderá sentir não do que é feita a poesia, mas de como ela nasce, mas eu não vou olhar para lá com os meus olhos cansados e cegos, vou olhar com o coração do menino de oito anos que mora em mim.
Depois de uma pequena pausa, com o olhar iluminado e com ares de devoção, prosseguiu o amigo menino poeta:


- Vejo a noite caindo feito um abraço de Deus sobre as montanhas, as nuvens recolhendo suas franjas brancas do firmamento, apagando as luzes do céu para descansarem.
O pipilar entardecido dos pássaros avisa os anjos de que Deus vai acordar. A lua é rua mais movimentada do céu, até o menino Jesus costuma caçar cometas por lá. As estrelas são flores que Nossa Senhora plantou no céu para iluminar nossas noites.
Vejo as montanhas trocando carinhos com os ventos, arvores cochichando verdes segredos de amar.
Os pássaros adormecendo seus cantos em velhos galhos feitos de pousos adolescentes.
O vento morno que refresca-nos a alma é o hálito fresco de Deus quando ele reza.
O rio caminhando entre pedras, segue feliz, pois sabe onde quer chegar. A poesia é feliz em ser triste, caminha alucinada na alma dos poetas, nunca sabe em que coração irá repousar.
-
-
-

Cassiane Schmidt

quinta-feira, 4 de março de 2010

Caos à deriva


Numa noite vestida de luas
Achei-me descrente
Triste e solitária
Feito barulho de chuva...
Um caos à deriva
Antes inteira, agora metades
Por dentro e por fora
: Tua

Adormeci nos ombros da solidão
Vesti meus olhos com asas
Para vê-los enxergar a escuridão
Vi transformado em nada
Todo o amor que eu mais quis
: Teu

Atravessei noites longas
Braços transformados em cais
Sobra de lábios feitos de sombras
Dois lados partidos em nunca mais
: Nós


Metades que de mim restou
Caminham em cortejo funéreo
Pelos desfiladeiros da memória
O destino vira as páginas do livro
Nós escrevemos a história.




Cassiane Schmidt

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Dois versos



Habitam-me dois versos
Um feito de árvores
Outro de frutos

Nos versos feitos de árvores
Construí um balanço
Onde dependuro-me em horas vazias,
No vai e vem dos anos mudos,
Onde tudo parece ranço.


Nos versos feitos de frutas
Degusto muitos sabores
Cítricos doces amargos
Desejos insanos,
Devoram-me os dias
Com apetite profano!

O primeiro verso me aporta
O outro me descarrila
Os dois duelam em vão
Enquanto,
o tempo me leva em suas mãos...


(Cassiane Schmidt)

Não sei...



Não sei se era dia ou noite
Sei que estive a brincar,
Por ruas largas, floridas casas,
Na encosta dos anos,
Pus-me a voar...

Pois que criança não anda, voa
Não fala, canta
Não chora, sente!

Neste lugar de brincadeiras
Encontrei muitas coisas
Cavalos-marinhos
Pés descalços
Carrossel de flores
Tudo feito de pensar...

Corri por verdes campos
Vaga-lumes disfarçados de estrelas,
Iluminavam as asas do meu sonhar

A lua vestiu-me seu manto
Os pássaros tomados de espanto
Puseram-se em bando a voar

E tudo isso se deu
No meu indisciplinado coração
Que teima em segurar o tempo
Com suas frágeis mãos...



Cassiane Schmidt

Houve um tempo,



Houve um tempo, ainda ontem,
Que em mim moravam flores.
Meus pés eram asas,
Meus olhos o céu.

Houve um tempo
Em que muros eram apenas tijolos
E a tristeza feita de papel

A casa pequena abrigada grandes sonhos
Que hoje em castelos não cabem...

Houve tempo
Em que eu era janelas, ritmo e cor
Hoje sou portas!

Mas uma janela aberta,
Para sempre em mim ficou.


(Cassiane Schmidt)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A busca




- Onde encontro a poesia?
Ousou um dia,
O aspirante poeta aos céus perguntar.

Acudiu-lhe uma voz:
- A poesia está onde teu coração
Puder alcançar!


Meu coração é tão pequeno – desfez o poeta -
Asas, ele não possui!
Como poderei um dia,
A poesia encontrar?

A voz respondeu:

- Voa sem medo pelas planícies do teu coração
Amputa os pés se preciso for.
Sede suave como a brisa,
Inocente como a flor

E, assim, quando menos esperar
Em tuas mãos nascerão asas,
Teus dedos aspergirão poesia.

Mas não te enganes, aspirante poeta

A poesia é feita de vazios.
Nasce quando dorme,
Morre quando desperta!
Nunca vai, nunca fica!
Deixa sempre atras de si
Uma porta aberta...




Cassiane Schmidt

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Despedida




Lágrimas alfabetizam o coração

Guarda-roupa órfão
Mesa vazia
Olhos derramados
Paisagens sem moldura
Vagas de garagem
Pele crua
Lábios singrados em últimos beijos
Braços naufragados em memórias,
Desviam a órbita: saudade!
Vidro quebrado
Corredor sem passos
Malas feitas.
Café com leite
Relógio parado
Janela fechada

Silêncio...
,

Portas abertas
,

Silêncio...

Sobre a mesa o vaso,
No vaso a flor
Na flor todo jardim
No jardim a ausência,
Na ausência o fim
,
,
,

, Silêncios
.
Cassiane Schmidt

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Resultado Oficial da I Seletiva (Concurso) para a Edição da Coletânea Século XXI

A PoeArt Editora de Volta Redonda RJ, institui a I Coletânea Século XXI (depois do sucesso das Antologias Poéticas de Diversos Autores, Vozes de Aço I, II, II, IV, V e do livro Cardápio Poético), para premiar autores de ambos os sexos, maiores de dezoito anos, amadores ou profissionais, somente residentes no país, na categoria: Poesia, em língua portuguesa, tendo como objetivo principal à descoberta de novos autores e o intercâmbio cultural entre os participantes.
Vendo a excelente qualidade dos trabalhos, A COMISSÃO julgadora decidiu premiar cada um dos dez autores (os 5 primeiros e as 5 menções honrosas) com a publicação da devida poesia premiada sem ônus e enviar 3 exemplares do livro como direitos autores pra cada um.


Antonio Lycério Pompeo de Barros – Brasília – DF
(Primeiro Lugar – Soneto: Pequenez Humana)
Cassiane Schmidt da Silva – Gaspar – SC (Primeiro Lugar – Poesia: Ponto Final)


As cinco Menções Honrosas*:

Adahir Gonçalves Barbosa – Pinheiral – RJ (Menção Honrosa – Poesia: Abraçando o Mundo)
adahirgb@superig.com.br
Amalri Nascimento – RJ (Menção Honrosa – Poesia: Acordes de Chuva) - amalrinascimento@gmail.com
Duílio Henrique Kuster Cid – Vitória – ES (Menção Honrosa – Poesia: Aquilo que se perdeu)
Lílian S. Porto – Niterói – RJ* (Menção Honrosa – Poesia: Amar – Fiando Vida e Morte)
Poliane Andrade de Oliveira – Muriaé – MG (Menção Honrosa – Poesia: Em revoada pelo Brasil)
******
Poema premiado
Ponto Final
O tempo escala os ponteiros do relógio
Maldito Tic-tac
Outro dia nasce


O dia nascido é uma página virada
Tantas vírgulas, muitos pontos finais
Sintaxe difícil das horas
Singular vencendo plurais,
: solidão

Tantos sentimentos conjugados
Em todos os tempos
: passado.

As manhãs da infância me beberam toda
Jamais me recuperei
Os goles daquelas manhãs coloridas
: ressaca

O tempo costurou a alegria de menina
Vivo costurada de lembranças
De tudo o que foi
: infância


A capa do livro é dura
Primeiras páginas, coloridas
As últimas, escuras.

Ponto final



Cassiane Schmidt

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Inscrição Prêmio SESC de literatura 2009!

O resultado do prêmio SESC de literatura será divulgado em fevereiro de 2010!

Tempo de Recordar foi a experiência mais intensa no mundo da escrita vivida por mim, dediquei incontáveis horas a este romance, que lá pelo capítulo 50, desisti de contabilizar.

Coração a mil, ansiedade projetada na certeza que o desafio é grande, MUITO grande, praticamente impossível, mas é preciso sonhar...assim como eu sonhei noites e noites com os personagens que nasceram através de mim. Eles se tornaram tão reais, que acabei sentindo falta deles, quando o último capítulo do livro chegou.

Chorei e sorri junto com meus personagens, eles me conduziram ao seu próprio destino, muitas vezes o personagem torna-se o próprio escritor, têm voz! Muitos destinos foram involuntariamente modificados pelos próprios personagens, parece loucura, mas com alguns deles foi assim. É tão mágico quanto complexo escrever um romance.
Me desesperei, quase enlouqueci, chorei, fiquei empolgada, surtei, quase desisti, escrevi feito louca, apaguei muito, reescrevi, continuei...

Escrever um livro é muito mais que amontoar pessoas e fatos numa seqüencia nem sempre lógica, é, sobretudo, o desafio de injetar (emoção, alegria, tristeza, sorrisos, lágrimas, humor, etc) em folhas com páginas, fazer pulsar o coração de quem lê, tudo na dose certa.

Tive uma relação de profundo respeito com cada personagem que criei, eles tornaram-se parte da minha vida. Não sei se isso é certo ou errado, ingenuidade de escritora iniciante ou o quê, apenas sei que para mim foi assim, uma relação intensa com meus adoráveis personagens.

Chorei a morte e o nascimento de muitos deles. Tive que ter coragem para me despedir de alguns, e a coragem de ficar com outros. A humildade de aprender com eles, de crescer altruisticamente com eles.
Mas não é só isso, é muito mais, tantos mais implicam no êxito de escrever um romance, que chego a me acovardar diante do resultado!

Não sei se cumpri algum desses requisitos, talvez o tempo dirá, talvez não...
Tive ganhos, ganhos incalculáveis quando decidi escrever Tempo de Recordar, independente de resultados externos, sou vencedora no silêncio calmo que a sensação da autorrealização produz em mim.
* * * * * * *

Sonho




Sonhei que havia morrido
Acordei morta, sentindo-me viva num outro mundo.
Despertei num pequeno quarto com muitas janelas, não havia nada nele
além de uma pequena escrivaninha com um pedaço de papel e uma
caneta gasta de mim.
Olhei pelas janelas, avistei um jardim surreal, nem feio nem bonito,
apenas estranho.
Um longo varal estendia-se a perder-se de vista nas planícies verdes azuis
daquele lugar.
Penduradas no varal, estavam folhas de papel, suspensas num cordel
gigantesco, feito de cipó, coisas malucas do tipo que só vemos
em sonho.
Ao invés de grampos, eram pássaros multicolores que prendiam as folhas
, os pássaros trocavam cantos, esculpiam asas no vento,
perfumavam as folhas com poléns de flores virgens.
Aproximei-me do imenso varal, recolhi, curiosa que sou, uma das folhas
ali suspensas. Tratava-se de letras, todas elas misturadas.
Eram lindas letras, que se depreendiam do papel, umas caiam por terra,
outras ganhavam o céu. Teve uma que vi voando nas asas do pássaro,
teve uma que vi chorando num ponto final.
Teve letra abraçada, hifens rendidos, parágrafos sublimados em diálogos
perdidos.
De repente uma letra debruçou sobre meu olhar, emudeci num grito
surdo, ao sentir uma delas em meu coração se acomodar.
Não entendi, apenas assenti ao estranho e jamais sentido.
Não quis acordar antes de entender...
Havia seis horas penduradas no relógio, quando despertei do sono com o
cheiro de café sobrevoando a cozinha, esticando-se até o quarto.
Sobre meus braços repousava um livro do Pessoa, que até em sonho nos faz mais gente!
Antes do café, antes de começar o dia, depois de desisitir de entender, um pouco mais de poesia!


Cassiane Schmidt
8
8
8
8
8
Haikai do texto Sonho (Por Isnelda Weise)

um jardim noutro mundo
onde pássaros perfumam
a vi(n)da das letras

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

...?!


Olhos cortados pelas retinas cegam
Fustigam emoções doentes
Cadeiras de cem rodas
Me levam a memórias permanentes

Estendi tristezas mofas sobre o varal
Que sob o sol se renderam
Queimando tudo, cheirando mal

Joguei xadrez nos azulejos da casa
Promessas feitas de renúncia
Medos voam
em asas de noites calmas


Melhor e pior disputam rimas
pobre é a luta vã
O fracasso é a pior das melodias
serve em seu cockteil
a doente medida,

Coragem é palavra bonita
Quando fica, FICA

Acomodações faltam
No beliche da insônia
Das escleróticas emoções
Que migram, feito quatro estações

Feitas de in_ernos!
V
F
V
F
V
F
V
F
V
V
Cassi SCHMIDT

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

"Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus"

"Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus"
Resultado final 2009
O livro deve estar pronto em final de julho e será lançado na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 12 a 22 de agosto de 2010, no Pavilhão de Convenções do Anhembi.Criado em 2005 pelo escritor e poeta Valdeck Almeida de Jesus (*), o prêmio é um dos mais importantes da literatura brasileira, pois tem inscrições gratuitas e dá oportunidade a poetas do Brasil e do Mundo de terem seus trabalhos publicados. Durante as edições passadas, foram lançados mais de 600 novos poetas no mercado editorial.Os livros são lançados em feiras de livro e em bienais da Bahia, Rio e São Paulo. Em 2009, durante a Bienal do Rio de Janeiro, a antologia foi lançada no estande da Giz Editorial e reuniu escritores e poetas do país inteiro.
Menções Honrosas
Os poetas abaixo relacionados foram agraciados com a menção honrosa:
Anna Luisa Traiano Mundt (Rio de Janeiro-RJ) – poesia: Realidade
Cassiane Schmidt (Gaspar-SC) – poesia: Prematuro
Cibele Garcia (Santos-SP) – poesia: Separação
Duílio Henrique Kuster Cid (Vitória-ES) – poesia: Naufrago na urbe
Eliana Cristina Hencklein (Descalvado-SP) – poesia: Para escrever...
Elias Antunes (Goiânia-GO) – poesia: Da realidade
Erik de Carvalho Alvarenga ((Vargínia-MG) – poesia: Poleiro pobre
Fábio Daflon (Vitória-ES) – poesia: Agripina
Fabrício Martines Alves (São Paulo-SP) – poesia: Soneto bissexualmente indeciso
Gabriel Rolim de Oliveira (Porto Alegre-RS) – poesia: Palhaçadas vazias
Geraldo José Sant’Anna (Bebedouro-SP) – poesia: Ébano
Grigório Rocha (Salvador-BA) – poesia: Mortalha
Isaac Soares de Souza (Pompéia-SP) – poesia: Mundo
Karlla Caroline de Oliveira Souza (Jataí-GO) – poesia: Atual dilema shakespeariano
Ney Cohen (Belém-PA) – poesia: Esse lixo
Rodney Caetano (Curitiba-PR) – poesia: Poema gene
Roque Aloísio Weschenfelder (Santa Rosa-RS) – poesia: Alva poesia
Rosana Rezende Telles Vaz Diniz (Volta Redonda-RJ) – poesia: Domingo, dia no que não pode
Silvana Sampaio (Vitória-ES) – poesia: Moto – perpétuo
Sílvia Nascimento (São José do Rio Preto-SP) – poesia: Luta vã
Virgínia Marília Candeias Santos Mareco (Alcáçovas, Portugal) – poesia: Falar ou calar?
**********************************************************************************
Poesia ( Cassiane Schmidt)

PREMATURO

Meu olhar é um poeta de talento
Quem dera eu traduzir em palavras
Aquilo que ele me escreve por dentro!

Mas não consigo, luto em vão
Fogem-me pelos dedos
A sombra duma impressão
Parir a palavra do sentimento
Árduo trabalho
É COMO Lapidar pedra com vento

Então, quieta, boquiaberta
Sento dentro de mim
Assento-me na solidão
Até o poema chegar, dizer: sim!

Chega disfarçado, ô bicho danado!
Escorre pelas mãos
Depois, ao final,
Lamento ver o que dele
Sobreviveu ao papel...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Duas Margens

Antes que a noite amanheça,
Estendo mar nos lençóis
Redijo sentenças para tristeza
Amanheço girassóis.

Antes que o dia termine,
Incesto alegria com dor
Coleciono pássaros no olhar!
Cultivo sementes de amor...
Vejo paz germinar!

A fé é sofrimento entendido
A esperança nasce na coragem
Ser feliz ou triste?
Lados opostos da margem

Antes que as horas entristeçam
Os ponteiros do meu dia,
Desato sombras de escuridão
Expiro do pensar a nostalgia
Viro canção!

, E, sendo canção, sou livre!
Sou feita muitas letras
Melodias ecoando amores
Reclamando despedidas
Escolhas atingindo margens,
Decidindo vidas...



Cassiane Schmidt

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Viver é ...



Descobri que a felicidade não está ao alcance das mãos, isto é, não é algo concreto que podemos pegar, guardar, eternizar.
Ser feliz é tão subjetivo e particular, quanto a escolha dos amores que fazemos.

A felicidade depende da capacidade que temos de alucinar o presente, acreditando sempre que o melhor vai acontecer!
A felicidade é apenas um modo de pensar, não importa as circunstâncias, a felicidade é uma forma de caminhar pela vida.

Ora caminhamos pela areia de uma praia paradisíaca, ora caminhamos pelas pedras, o importante é apreciar a caminhada...

É difícil compreender o ritmo da vida, é difícil acompanhar a pulsação de nossos sonhos frente aos reveses da realidade, mas nada será impossível quando aprendermos a sonhar como se fossemos loucos.

“E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música.” (Nietzsche)

A loucura é afrodisíaca para a concretização dos sonhos. Quando racionarmos o pessimismo contraproducente, e apreendermos a sonhar como as crianças, não haverá impedimentos para o alcance de nossos desejos.

Sofrimento é falta de imaginação! A alegria é a vida dizendo: bom dia! A tristeza é adolescente, que com o tempo amadurece, nos faz mais gente!

A fé é a tristeza entendida, estendida no varal do tempo de nossa “curta” vida. O amor é sol, é pôr; Dormir e acordar, Sorrir e chorar, Oi e tchau,
Nunca ponto final!
Talvez ponto e vírgula,
Mas nunca ponto final.
Afinal, o que é a vida?



Cassiane Schmidt