Tempo de Recomeçar

Tempo de Recomeçar
"Essa história vai emocionar você"

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Novo Fim


Que maravilhosa mensagem contida nas palavras do saudoso Chico Xavier: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.”

Vejam, leitores, que nem o próprio Chico, acreditava em destinos pré-determinados, isso fica claro quando ele nos diz que podemos começar agora e fazer um novo fim. Presume-se daí que somos nós, eu e você, os responsáveis pelas escolhas que fazemos, escolhas essas que irão determinar o fracasso ou o sucesso de nossas vidas, em todos os sentidos.

Pessoas há, que acreditam ser cedo demais para começar, enquanto outras, perseveram, acreditando ser cedo demais para desistir. Prefiro a segunda opção. Jamais conheceremos o gosto da vitória sem ter provado o gosto amargo das provações. Muitos passam a vida de braços cruzados, enquanto tantos Cristos morreram de braços abertos tentando alcançar seus sonhos. Quem já não ouviu a velha frase “nada cai do céu”? Eu, confesso, cresci ouvindo isso (sábios ensinamentos de mãe e avós): “Se queres ser alguém na vida estuda, estuda e continue estudando sempre! Trabalha e trabalha sempre, pois nada cai do céu...”

Soube, a partir daí, que era preciso me preparar para alcançar os meus objetivos. Parece simples de entender, e de fato é, porém, o difícil é colocar em prática, dá trabalho ser alguém na vida, mais trabalho ainda dá, ser alguém melhor na vida - falo aqui de caráter e de coração - pois entendo que de nada servirá diplomas e méritos se o coração é vazio e a alma é pequena, está aqui a mais difícil empreitada da vida na terra!

Apático tempo das modernidades, onde tantos e tantos jovens aprendem a desistir antes mesmo de começar. Uma sociedade consumista, alicerçada em valores superficiais e imediatistas, ensinam as crianças a preocuparem-se em “parecer” antes de “ser”.

Cada vez mais pessoas apáticas e preguiçosas, sim, preguiçosas, mergulham seus sonhos na água turva do comodismo, quando não, no sofá da sala, em frente a uma televisão de LCD Plana de 42 Polegadas, e acabam por deixar a vida passar.

E a vida passa, leitores, se passa! Depois, essas mesmas pessoas são aquelas que culpam o governo, o chefe, a esposa, o marido, os filhos, pelo seu fracasso. Tolos, tolas, ambos covardes.

Não mergulhemos nossos sonhos na dúvida, na preguiça ou no comodismo. Antes, façamos nossos ideais emergirem da escuridão da incerteza para o alcance da concretização. Onde há uma vontade, há uma vitória! Não esqueçam, do céu, só chuva mesmo, na pior das hipóteses, avião!



Cassiane Schmidt

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

(Parêntesis) .... (?)


O tempo esculpe as "aspas" da convivência, o pior de tudo é viver entre (parênteses)

  )  Cassi Schmidt  (

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sessão Nostalgia * MacGyver


Quem não lembra dele?
Tardes de domingo, onde nada era impossível para o "Magaiver"

sexta-feira, 10 de setembro de 2010


O amor foi o primeiro livro que Deus leu...

(Cassiane Schmidt)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Picadeiro Eleitoral Gratuito


Pois é, leitor, ou melhor, eleitor. Lembram do tempo em que o circo chegava na cidade? Desfilavam pelas ruas, anunciando garbosamente a sua chegada. Os desfiles eram pomposos, mulheres esquisitas que engoliam fogo, palhaços e bailarinos, que bons tempos.

Nós, cidadãos de bem, na ditosa época, reservávamo-nos o direito de escolher, se queríamos ou não ir até o circo assistir ao espetáculo.

Hoje, desastrosamente, um outro tipo de circo passa por nós de quatro em quatro anos, transformando a sala de casa num picadeiro, sem escolha tornamo-nos o irrespeitável público do horário eleitoral “obrigatório”.

Diferente do circo citado no início do texto, que era um movimento cultural, que oferecia lazer e diversão as famílias, este outro circo que invade as nossas casas, é um verdadeiro balaio de gatos.

Um descaramento ao qual milhares de brasileiros são obrigados a assistir duas vezes por dia, exceto pela minoria da população que tem acesso aos canais por assinatura, contudo, ocorre que a grande maioria é obrigada a presenciar a asneira desmedida na qual se transformou a propaganda eleitoral. Um espaço que tem como objetivo apresentar as propostas dos candidatos, perdeu o sentido, virou motivo de piada.

"Ei, ei, Eymael... Ei, ei, Eymael..” e mais uma televisão desligada!

As pesquisas revelam a insatisfação do povo brasileiro em relação ao horário político. A baixa audiência é uma resposta ao absurdo que vem acontecendo. Segundo o cientista político e marketeiro tucano Antônio Lavareda, nesta campanha presidencial a audiência da propaganda obrigatória na TV despencou pelo menos 30% em relação a 2006.

O chamado share - porcentual de TVs ligadas - também despencou no primeiro dia da propaganda eleitoral. Às 20h30, era de 51,2% na Rede Globo. Dez minutos depois, atingiu a marca mais baixa nos 50 minutos do horário político, com 44,4%.

E os números continuam despencando, talvez possamos, sem muito esforço, encontrar as causas.

Vamos lá, me acompanhem na breve apresentação de alguns candidatos celebridade, fiz uma difícil seleção dos melhores, surpreenda-se:



1- Tiririca - Grau de instrução: Fundamental incompleto.

Melhor slogan político da história “Vote Tiririca, pior do que tá não fica.”



2- Mulher Pêra - Grau de instrução: Lê e escreve – Ah, que alivio, o Brasil agradece!



3- Batoré - Grau de instrução: Ensino Fundamental incompleto.



4- Mulher Melão - Grau de instrução: Superior incompleto.

Citei apenas alguns, mas são tantos. Primeiro, que não dá para confiar em pessoas que utilizam a imagem pública acentuada pela mídia televisiva, para garantir uma vaga no congresso, é subestimar a inteligência do povo brasileiro. Cada macaco no seu galho, como uma mulher pêra, por exemplo, poderá legislar e zelar pelas leis e dogmas constitucionais nacionais, propor, revogar, emenda à Constituição Federal? A mocinha é capaz de criar um projeto de lei que ofereça gratuitamente implantes de silicone para a população, não duvido! É lamentável pensar em nosso país sendo governado por palhaços e por mulheres frutas. O mais triste diante do cenário político, é a falta de opções.

Contudo, não desanimes eleitor, ainda temos o Levy Fidelix, pelo menos ele vai criar o Aerotrem no formato de trem-bala (!?) quem sabe quando o Aerotrem estiver pronto, ele passe lá por Brasília, e leve alguns políticos brasileiros para um passeio de (somente) ida para Marte?


(Cassiane Schmidt)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Marcas do Tempo * (Crônica)



Nietzsche estava certo quando escreveu: “A vontade é impotente perante o que está para trás dela. Não poder destruir o tempo, nem a avidez transbordante do tempo, é a angústia mais solitária da vontade”... Foi o que senti ao observar um senhor debruçado sobre o túmulo de sua esposa.

Em uma visita ao meu nono no cemitério, tal cena me chamou a atenção. Mas antes, o leitor deixe-me falar um pouco do meu nono (italiano). Já reparam como é estranha a visita ao cemitério? Não há ninguém abrindo as portas, nos recebendo com um sorriso, ou como o nono costumava fazer, sempre nos recebia com, além de um largo sorriso no olhar, uma xicara de café.

Como era ruim o seu café.

Mas quem teria coragem de enjeitar um agrado desses...olhávamo-nos compartilhando a angústia do primeiro gole, quando a xicara tocava os lábios o estômago se retorcia, esperando o líquido negro açucarado, quase melado.

Depois do café do nono (pobrezinho) bebíamos muita água, que era para lavar a memória gustativa do café deslizando em nossas pobres goelas. Tenho dúvida se eram seis ou sete colheres de açúcar bem cheias que ele colocava em pouco menos de um litro de água morna. Café morno é uma delícia, concordam?

Agora meu querido nono nos recebe com uma cruz em silêncio, flores murchas, velas nem sempre acesas, resumido em letras douradas que guardam suas datas e seu nome.

O que nos amarga a boca agora não é o café que ele nos preparava, mas a saudade que ele deixou. E não há água capaz de lavar o amargo da saudade. Enquanto minha mãe terminava suas orações, pus-me a caminhar pelos labirintos de pedra onde a vida não encontrou a saída, foi ali que observei o tal senhor debruçado sobre o túmulo da esposa. O homem de modos simples e castos realizava um verdadeiro ritual da saudade. Sentando as margens do túmulo da mulher, ele acariciava com uma delicadeza inenarrável a fotografia vitrificada da esposa. Disfarcei, mas foi inevitável desgrudar os olhos daquela cena. Ele tragava o cigarro com tanta avidez como quem fosse arrancar a mulher dos braços de mármore cinza que a guardava. Puxava fundo o fôlego, segurava a fumaça inflando as bochechas e depois, lentamente, varria os pulmões com suas lembranças, era como se ele quisesse se esvaziar da dor que estava sentindo.

Atrás do homem ficava imóvel um moço, que soube tratar-se do seu filho, quando ouvi-o pedir ao “filho” que fosse buscar um pouco mais de água.

O rapaz não demonstrava emoção alguma, apenas assistia ao pai sentado sobre a memória de sua mãe. Talvez o jovem não encontrasse espaço para a sua saudade, talvez a saudade do pai ocupava todas as cadeiras vazias da memória que ele tinha de sua mãe.

O homem de mãos grossas e amareladas do fumo ajeitava delicadamente as flores, puxava-as para lá e para cá, como se não encontrasse o lugar certo para o vaso. Para a direita, as flores encobriam o retrato da esposa, para a esquerda, uma teimosa flor amarela encobria-lhe o nome.

Depois, ele certificava-se de que a cera havia colado bem a vela que o vento insistia em apagar e, que ele, pacientemente voltava a acender. Em seguida ajeitava-lhe o cadarço do sapato, revira-se dum lado pro o outro, olhos feito anzóis no túmulo da amada. Acendia mais uma vela, dobrava um raminho verde, ajeitava um santinho de gesso na sepultura, talvez fosse essa maneira que ele encontrava de abraçar sua esposa.

O filho vez ou outra passava a mão sobre os ombros do pai, como a dizer: sinto muito, estou com você. E lá ia novamente as mãos do homem passear pela fotografia da esposa. Com as mãos na imagem dela, ele erguia os olhos para o céu, desviava o olhar nos lúgubres vizinhos de sua esposa e desaguava novamente na imagem da mulher.

Depois de algum tempo, o pobre homem ergueu-se com dificuldade, o tempo leva de nós, também as articulações; com a ajuda do filho ergueu-se, passou o lencinho umedecido mais uma vez sobre o túmulo e foi embora.

Fiquei pensando quantas lembranças ele não reviveu naquela realidade feita de pedras e flores artificiais, ali num lugar onde tudo é sempre nunca mais.

Quantos sorrisos, abraços, dores e lágrimas, ele e sua esposa compartilharam. A viuvez para quem se ama é o pior dos castigos, ainda mais quando se há compartilhado, provavelmente, mais da metade de vida juntos.

Não há dúvida de que quem vai leva metade, se não quase tudo de quem fica. Vi naquele senhor um meio homem, como se lhe faltasse uma das pernas, um dos braços.

Decididamente a frase de Nietzsche veste perfeitamente essa sentença, não há meios de vencer o tempo, de impedir que o destino bata a nossa porta, entre e depois despeça-se levando pelas mãos um de nós, um dos nossos;

Inevitável não pensar, haverá algum dia, meios de resgatar as nossas metades que o tempo levou?





(Cassiane Schmidt)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Inutilidade Literária



Quanto mais me convenço da inutilidade utilitária da literatura, mais creio na sua imortalidade.


A literatura assume um caráter “inútil” no sentido de não se enquadrar nas coisas úteis do dia-a-dia. O sapato é útil para protegermos os pés, assim como a roupa o é para vestir o corpo, no entanto ambos deixam de ser úteis a medida que compramos um novo sapato, uma nova roupa.

Desse modo a literatura é inútil para as coisas práticas e objetivas. Nós não comemos, não vestimos literatura, ela vive as margens da realidade, transcende a realidade, sobrevoa o tempo, esta aqui e ali e não está em lugar nenhum.
Isso lhe confere um caráter imortal.
Se pensarmos nas coisas que nos movem, tais como o instinto de sobrevivência, que nos faz levantar de manhã, estudar, trabalhar, podemos perceber que há uma força invisível que nos impulsiona, aí eu pergunto, que força é essa? É algo que nós podemos guardar, estocar ou até mesmo trocar quando fica velha? Absolutamente não, trata-se de uma força invisível que nos mantem vivos, do mesmo modo a literatura é uma força invisível que cuida por manter arejada a nossa alma. (Cassiane Schmidt)




Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana. Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso. (Fernando Pessoa)
 
 
 
 
Os sonhos são a literatura do sono.
(Jean Cocteau)
 
 
 
Só se pode chamar ciência ao conjunto de receitas que funcionam sempre. Tudo o resto é literatura.
(Paul Valéry)
 
 
A literatura não permite caminhar, mas permite respirar.  
(Roland Barthes)



Os governos suspeitam da literatura porque é uma força que lhes escapa.
(Émile Zola)



Alguns escrevem pela arte, pela linguagem, pela literatura. Esses, sim, são os bons. Eu só escrevo para fazer afagos. E porque eu tinha de encontrar um jeito de alongar os braços. E estreitar distâncias. E encontrar os pássaros: há muitas distâncias em mim (e uma enorme timidez). Uns escrevem grandes obras. Eu só escrevo bilhetes para escondê-los, com todo cuidado, embaixo das portas. (Rita Apoena)


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Só por Hoje

Hoje eu quero,

A acústica do silêncio sobre meu telhado

Ver um pássaro novo inaugurar o céu

Sentir o perfume dos ventos

Desaprender tudo...errar a palavra, morder a palavra, salivar o escuro embaixo da pedra.

Quando pequena, meus pés era mais que simples pés, eram asas; Neles não cabiam sapatos, não cabiam dúvidas.

Quando menina, a terra era mais que terra e as árvores eram escadas que Deus construía para chegarmos mais perto Dele;

Os pássaros eram galinhas que ciscavam nuvens.

Quando andava de bicicleta, e vinha aquele vento fresco lamber meu rosto, eu chegava perto de Deus!

A igreja era um lugar engraçado, hoje é um lugar estranho. Deus ainda mora no vento, na árvore perto de casa, em mim.

Na frente de casa, quado chovia, as águas desciam do barranco, forma-se um laguinho no jardim, lá mergulhava minha alegria...banho de chuva, vaga-lumes em noites escuras, cheiro doce de pedras, tangerinas e laranjas doces amargas, infância!

Hoje quero o inverso, colecionar raízes de plantas, ver cicatrizada todas as mentiras do mundo.

Ir além da imagem, além de tudo que me faça pensar, quero pensar do avesso, mergulhar na contramão das coisas prontas, vencidas, podres.



Hoje quero o chão como o céu e o nada como caminho...





(Cassiane Schmidt)

rotina do fim


Desce a cortina

Dormem as ruas
Luzes se apagam
Lá, onde tudo termina
O tempo inicia sua rotina


O assoalho velho, manchado, embala
Os passos dum velho relógio atrasado
Na porta, memórias de partida e chegada
O fim nos espia por todos os lados


(Na velha casa, onde velhos personagens criam traças),


Talheres dormem nos pratos
Cadeiras disputam vazios
Sobre a mesa seus pedaços
Somos feitos água de rio

Silêncio, estrada do tempo
Onde o destino nos faz caminho
Quando iludida penso
Estar viva, já se desfez o meu ninho



A vida deveria sem assim:
Um sempre chegar, um nunca partir
Mas o tempo vem e nos diz:
Arrume suas malas, recolha seus pedaços

Essa é a rotina do fim!

 
Cassiane Schmidt

Ele e Ela



A rotina da mentira é o fim











No coração dele _ cadeiras vazias


No coração dela __palpites e arrepios



Na igreja, enquanto o padre dizia:

- Para sempre...



Ele pensava: para sempre não existe!

Ela, (com lágrimas nos olhos), sorria



Nas mãos dela, compromisso

Nas mãos dele, bijuteria



Festa, convidados, música, INDIGESTÃO



Na segunda-feira: rotina



Nela, verdades

Nele, mentiras



O chão-nosso de todo dia os engoliu

Ela, vazia

              .
.
..                          Ele sumiu!



Cassiane Schmidt

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Janela fechada



Brilha o sol nos olhos de Maria

Em sua boca deságua todo o mar

Até a tarde se está sombria

Quando ela passa, volta a brilhar


Quando ela passa pela rua

Todas as janelas se abrem

Tudo a volta dela se desfigura

Meus olhos em mim já não cabem


Minhas tardes são de Maria

Fiz promessa a todos os santos

Se um dia ela for minha

Cobrirei seu rosto com um manto



E ninguém jamais participaria

Da beleza da minha amada

Pois sendo minha

Viveria em meus braços

Para sempre enclausurada



Teve um dia que ela não passou

Outro também não

Será que alguém à levou?

Será de outro seu coração?



A rua sem ela ficou de luto

Eu insistia todos os dias

Buscava em outras faces seu vulto

O sorriso de Maria...



Guardo a imagem dela

Dentro de cada segundo

E nunca mais minha janela

Viu um anjo mais lindo no mundo...



Teve o dia que a janela se abriu

Foi o vento da noite

Foi um vento de frio...

Um aviso de morte!



Abriram-se os portões do cemitério

Com tristeza encontrei minha amada

Em sua volta o canto funéreo

Em mim, uma alma inconformada


Na laje fria, com os olhos fechados

Estava Maria em sono profundo

Dos céus soava um canto sagrado

...Menos um anjo neste mundo...


Junto de minha amada

Foi-me toda a alegria

Janela fechada,

Maria...



(Cassiane Schmidt)



Poema inspirado no poema “Quando Ela Passa” do imortal Fernando Pessoa. Confiram
http://www.revista.agulha.nom.br/fpessoa334.html), considero o melhor poema deste Senhor das letras...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Abismo



Na carne solitária do poeta

Um verso nasce.

Papel respirado em saudade

Passado abrindo frestas



Poemas esculpidos revelam

A doçura das mãos

Não importa o ritmo

O destino é um descarrilado vagão



Na parede dormem as horas

Num silêncio que tudo acorda...

Na triste solidão de um livro

Convenço meus personagens

A construir uma ponte sobre meu abismo



Quando a noite chega

Viro as páginas da solidão

Com a triste certeza

De que outras saudades virão...

 

(Cassiane Schmidt)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Velho Espelho

Cravadas horas,

No tempo diagnóstico

Na pele cicatrizes



Trajetos percorridos

Malas desfeitas aos pés do destino



Em algum momento tudo chora

Não importa o caminho

Em algum momento a alma estará de joelhos



E como pássaros fora do ninho

Haverá apenas a sombra fria

Refletida num velho espelho
, Sozinho!


 
(Cassiane Schmidt)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Metamorfose


Escalei os muros da ausência
Rastros de sombras entre as mãos
Embaixo dos olhos muda inocência
Acordei nos braços da solidão

 
Luze uma estrela no céu
A mesma que me viu amar e sorrir
Agora, cobre-me com seu véu
As águas tristes deste partir


Mergulhei os olhos no mar
Escondi meus versos numa rocha
Tenho a sina de sonhar,
Sonhos vivos de morta!

 
O caminho consome passos
Faz a curva das despedidas
Destino tecendo laços
Despindo vidas...


 
Cassiane Schmidt

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cenário


No telhado a vida escorre

A chuva dos dias

Não sou eu quem escolhe

Essas manhãs tristes frias...



Quem desenhou este céu cinza?

Quem esculpiu essa lágrima no olhar?

E se Deus fosse feito tinta

De que cor Ele iria as pessoas pintar?



As nuvens escorrem pelas frestas do céu

As chuvas beberam o azul da janela

Pássaros migram feito poemas num cordel

Harmonia de asas que o vento leva



A chuva aninha-se pelos cantos

Traz dos céus muitos segredos

Será, água benzida de santo?

Ou, choro de anjo com medo?



Mas o quê importa tudo isso

Se o tempo vira a página dos calendários

Relógios e ponteiros feito crucifixos

Haverá personagens, na ausência de cenário?



(Cassiane Schmidt)