Tempo de Recomeçar

Tempo de Recomeçar
"Essa história vai emocionar você"

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Pais e filhos: "Limites sem traumas"


Dia destes estava eu em uma loja de brinquedos, quando pude observar um pequeno que lá estava, não tinha mais que uns sete anos de idade. Ali mesmo na loja, em frente a todos, o garoto ia exigindo de sua mãe uma quantidade sobeja de brinquedos, algo sem limites.
A mãe, uma jovem de uns 19 anos, no máximo, surpreendentemente comprou todos para o moleque, alegando diante do olhar abismado do caixa, que creio nunca ter vendido tanto brinquedo para uma só criança.
- Vou comprá-los, do contrário ele se põe aos prantos!
Fiquei surpresa, e confesso preocupada, com a atitude pusilânime da mãe frente aos desmandos do garoto. Depreendi da lamentável cena, que dias difíceis virão se os pais não estiverem cônscios de sua responsabilidade na educação de seus filhos.
Hoje, a criança recebe uma overdose de brinquedos, e no futuro? do que será a overdose? Quais os sistemas de compensação que irão satisfazer os jovens, quais as mamadeiras psicológicas nas quais estes mesmos jovens irão matar sua sede?
Os limites são essenciais na infância e na adolescência, não falo dos limites castradores, que comprometem o potencial, que prejudique a autoestima, refiro-me aqui dos limites saudáveis, aqueles relacionados aos bons modos, a educação.
Percebo uma geração de pais confusos, apáticos em relação à educação dos seus filhos, vá lá, educar dá muito trabalho! Requer que os pais tirem tempo para conversar, debater, educar verdadeiramente gera conflito, pois o interesse dos pais vai contra os interesses imediatistas e, muitas vezes, irresponsáveis dos filhos.
Já cansei de ouvir pais que alegam não terem tempo para seus filhos, acabam terceirizando a educação do rebento, relegando a responsabilidade aos professores, babás, etc... Em muitos lares pais e filhos mal se enxergam, principalmente nos lares onde dinheiro não é problema, onde os pais sobrecarregam seus filhos de atividades. Vi um entrevista onde uma menina de seis anos de idade relatou estar cansada e depressiva, pois fazia aula de ballet, inglês, natação, e treinava basquete, fora seus compromissos escolares. Isso é um absurdo!
Antigamente, não faz muito tempo, os pais tinham um controle maior sobre a educação do filho, bastava um olhar de reprovação do pai, que a criança já entendia o recado.
Hoje os papeis estão se invertendo, filhos mandam e desmandam nos pais, escravizam seus pais para manterem seu status, são irresponsáveis e, retomo o tema deste texto, “desconhecem limites”. Não estou generalizando, por sorte, às vezes, confesso que raramente, eu encontro jovens educados, estudiosos, que respeitam seus pais e seus professores, esses sim, terão um futuro brilhante pela frente! E o melhor ainda, agradecerão aos pais as “rédeas” que lhes foram colocadas durante a infância e adolescência.
Vou mencionar um dos reflexos dessa inversão de valores, dessa falta de limite que não existiu lá nos primórdios da infância, vou citar um apenas, que está evidente em nossa sociedade, Gaspar enfrenta isso quase todos os finais de semana.
São os acidentes de carro envolvendo jovens entre dezoito e vinte e nove anos de idade, salvo raríssimas exceções, todos os acidentes ocorrem na pós-balada, e a ingestão de bebida alcoólica está presente.
Educar, conscientizar é um caminho que deve ser trabalhado desde a infância, os pais precisam assumir seus postos, dedicar tempo aos seus filhos, pois somente assim, poderemos pensar num futuro mais promissor para nossa sociedade. Limites sem traumas, isso é possível, basta que os pais assumam sua responsabilidade sobre a educação dos filhos; a sociedade agradece!



Cassiane Schmidt

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Fotografia: Cassiane Schmidt
Paisagem:  Lulu


Hoje acordei meio dia
Respirei dois goles de saudade
Fechei as cortinas
Quero mudar de cidade...

Sou avessa à rotina
Não gosto dessa coisa de estar sozinha
Solidão não é plural de gente
Se fosse assim as multidões seriam contentes

Quero um prato de flores
Um vaso de terra
Respirar novos amores
Construir uma casa na primavera

Uma cachoeira e uma lanterna.
Ver a noite desfilando vaga-lumes
O barulho da água feito fechadura
Abrindo portas dessa escura caverna.

Abrir as cortinas
Olhar o calendário sem tristeza
Ver lá fora o que não via
Ser um poema esquecido em cima da mesa...

{Cassiane Schmidt}

domingo, 22 de janeiro de 2012

Big Vergonha Brasil



Hoje vou falar sobre o escândalo protagonizado por dois participantes da décima segunda edição do Big Brother Brasil. Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer que sinto verdadeiro desprezo por este programa, acho-o de uma baixeza generalizada, uma vergonha!

Não contribui em nada, não há nada que remeta algum tipo de aproveitamento cultural, um programa de moças que exibem corpos esculturais e que não conseguem manter um diálogo decente, muitas delas deveriam procurar um fonoaudiólogo, pois até ouvi-las falar é insuportável. Elas confirmam a minha estatística, 99,9% dessas modelos passam a vida lapidando a casca, enquanto o cérebro vai se atrofiando... Acredito até que um reality show com chimpanzés seria bem mais interessante do que isso que a Rede Globo exibe.

Mas, vamos aos fatos que remeteram ao escândalo. Na primeira festa oferecida aos participantes, houve um incidente envolvendo um rapaz e uma moça, cujos nomes nem vale a pena mencionar.

Depois de tomarem todas e ficarem se (desculpem a expressão) esfregando feitos dois animais, a mocinha e o rapaz, que já estavam “pra lá de Bagdá”, foram pra onde? Pra onde? Pra debaixo do edredom, é claro!

A garota, depois de alguns instantes, aparentemente, “apagou”, mas, o rapaz estava muito aceso e, segundo alguns espectadores que acompanharam tudo pela tevê fechada e pelas cenas amplamente divulgadas e exploradas pela emissora de Televisão Rede Record, que, diga-se de passagem, possui um programa semelhante, dão conta de que ele teria supostamente abusado sexualmente dela enquanto ela dormia. (pobrezinha)

O fato caiu nas redes sociais feito um estopim e o rapaz foi expulso do programa, o motivo alegado pelo Pedro Bial foi: “ele foi expulso do programa por conduta inapropriada”. Menos Bial, menos!Quem deveria ser expulso do programa deveriam ser os organizadores que armam uma arena medieval, confinando um bando de jovens, disponibilizando bebida “à lavonté”, edredom e liberdade. O resultado não poderia ser outro.

Todas as evidências apontam que ela consentiu e até instigou o jovem durante toda a festa para o ato libidinoso, por isso, o fato, do meu ponto de vista, foi consensual, ambos embriagados, foram para debaixo do abominável edredom das trevas. Óbvio que o ato cometido por ele, se é que a bela adormecida dormiu mesmo, é condenável e ele deve responder pelo que fez. Contudo, ela também deveria ser expulsa do programa, pois também manteve conduta inapropriada.

Mas, por que será que ela ficou? Simples de entender:no dia seguinte a mocinha acorda com a cara da Madre Tereza de Calcutá, diz que não se lembra de nada, deixa o rapaz em maus lençóis, levando-o a ser expulso do programa e ela passa por vítima.

Nesta semana, o apresentador Bial, com a cara mais lavada do mundo, inicia o programa afirmando que a jovem afirma que não houve nada demais, que tudo não passou de um mal entendido. Mas cadê o rapaz? Se nada aconteceu, se tudo foi consentido, por que ele foi expulso?

A Rede Globo comprou o silêncio da jovem em troca de sua permanência na casa, pois se ela representasse o caso perante a justiça o programa sofreria sérias consequências... Ela fica, ele sai, tudo continua igual. Nenhum dos participantes toca no assunto! A Rede Globo dá um cala boca geral na rapaziada, assunto encerrado. E, assim, os heróis do Pedro Bial continuam sua mais ridícula saga pela tevê.

Plim...Plim

(Cassiane Schmidt)

Natal


Escrever sobre o tema “Natal” é difícil e, convenhamos, mesmo ocorrendo uma vez só ao ano, os discursos natalinos acabaram se tornando piegas, repetitivos. Por isso, quando nos é solicitado escrever uma crônica sobre o natal, passa um turbilhão de dúvidas do que escrever.

Estou cansada de papais-noéis com a barba desfeita, desfilando em limusines, dos papais-noéis estressados que são obrigados a ficarem horas  sentados numa cadeira dum Shopping Center.

O melhor Papai Noel é aquele que mora em nossa imaginação! (De preferência em nossa imaginação de criança)

Encontrar a fórmula exata, que seja capaz de fisgar a atenção dos leitores e, principalmente, tocar um Jingle Bells em seus corações é quase impossível, diante de um dezembro tão desfigurado pelo consumismo.

Quando eu era criança eu colocava um sapatinho no beiral da janela na noite que antecedia o natal, onde o Papai Noel deixava um presente. “seja rico, ou seja, pobre, o velhinho sempre vem... (vence?)” lembram-se dessa cantiga?

É claro que havia o discurso da mãe: “O Papai Noel só vem se você for uma boa menina, se não ficar em exames na escola, se comportar-se”. Morro de saudade desse tempo, contudo, as recomendações somente eram colocadas em pratica, confesso, em meados de novembro, quando a figura do Noel era mais presente e o bom comportamento se fazia mais urgente.

Natal tem a ver com tempo, quando era criança esta ocasião era uma eternidade, hoje, tornou-se um relâmpago! Os meses cavalgam apressados sobre as horas e dezembro está sempre ali, nos observando.

 Não sei de vocês, mas para mim o mês de dezembro é o mês mais difícil do ano. Por quê? , porque ele nos empurra para a reflexão, fecha uma porta entulhada de memórias e abre outra cheia de esperanças, e incertezas, também.

Para nós, pobres mortais, digerir o passado e lidar com as angústias que o futuro guarda, não é tarefa fácil.

Natal também é luto, porque mais cedo ou mais tarde, alguém desaparece da mesa, uma cadeira vazia, um coração triste, uma vela que se apaga, um presente a menos embaixo do pinheirinho.

Luto não é feito apenas de morte, mas da ausência emocional de alguém que amávamos tanto e que não pertence mais ao nosso contexto.

Olhando pra tras, encontrei uma crônica natalina que escrevi para o Jornal Cruzeiro em dezembro do ano de 2007, onde eu dizia que o mais importante: “Não são os presentes que ganhamos, mas, as pessoas que estão junto de nós. Não é a ceia farta de natal, é a mesa cheia, cheia de gente...”.

Mas, tudo bem, nem tudo são perdas, o passado é especialista em construir paredes, para muito nós este Natal será uma ocasião de olhos vermelhos, de coração saudoso, de novidade, de ausência.

Este ano não vou acender velas, nem fazer pedidos, meu pinheirinho de natal estará enfeitado de casulos!



 (Cassiane Schmidt)

sábado, 10 de dezembro de 2011

Velozes e Furiosos


Assustadora. É com essa palavra que inicio a crônica de hoje. Não vou deixá-los curiosos, pretendo falar de um homicídio silencioso e devastador que vem tirando a vida de muitas pessoas, dia após dia.
Refiro-me a violência no trânsito. Ligo a tevê, abro o jornal, sintonizo uma estação de rádio qualquer, e, lá está ela, a notícia: mais um vitima fatal de acidente de trânsito.
A edição do Jornal Nacional exibida em maio de 2011, revelou uma estatística preocupante do (DNIT) Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte, a pesquisa revelou que Santa Catarina é o estado com maior proporção de mortes nas estradas, o estudo mostrou que, no ano passado (2010), aconteceu, em média, uma morte a cada seis quilômetros de rodovia no estado.
Parece-me que a terceira guerra mundial está declarada, as armas são os carros e a imprudência dos motoristas.
O (SIM) Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde, cujos dados de 2010 revelaram: 40.610 pessoas foram vítimas fatais, sendo que 25% delas se deram por ocorrências com motocicletas.
Muitos se refugiam na desculpa que as estradas no Brasil, mais precisamente nossa famosa BR 470 encontra-se em péssimas condições, mas pensem comigo, discordem, concordem, mas, em minha opinião, quanto mais degradada à condição das estradas, maior deve ser o cuidado que o motorista deve ter.
Se a BR 470 ainda, infelizmente, não foi duplicada, evitem as ultrapassagens, andem devagar! Eu não entendo o porquê de tanta pressa, em minhas incursões pela 470 já presenciei cenas dignas de cinema, (velozes e furiosos ficam no chinelo) ultrapassagens em curvas sem a mínima visão, pessoas que escaparam por um triz de uma colisão fatal e que não se intimidaram diante do susto, continuaram se aventurando pelas frágeis e desastrosas curvas do Vale.
Nessa história, tudo é muito relativo, pois cada vez mais aumenta o número de acidentes fatais em rodovias duplicadas e em bom estado de conservação, parece-me, que nesse contexto, os motoristas pisam ainda mais fundo no acelerador, imprudentes!
Há motoristas que se sentem onipotentes diante do volante e acabam provocando tragédias.
Vários motivos contribuem para o cenário que estamos presenciando, carros cada vez mais potentes, talvez isso explique o fato de que alguns homens só conseguem sentirem-se potentes atrás do volante... Descontam suas impotências no acelerador, covardes!
Falo dos homens, pois o fato (comprovado) é que os acidentes fatais têm como protagonistas os homens, as mulheres são mais prudentes, seus acidentes não passam de um amassado aqui e um arranhãozinho ali. Um estudo minucioso realizado pela Confederação Nacional de Municípios intitulado “Mapeamento das Mortes por Acidentes de Trânsito no Brasil”, publicado em 2009, revelou que as mulheres se envolvem 4,5 vezes menos em acidentes de trânsito com mortes do que os homens.
Fico consternada pelos inocentes que tem a infelicidade de cruzar o caminho desses motoristas imprudentes, pessoas que, involuntariamente, perdem a vida por conta da irresponsabilidade e, porque não dizer, da insanidade de alguns motoristas.
A mídia, por outro lado, com suas propagandas alucinógenas, incentivam a imprudência, associam velocidade à ideia de liberdade. Infelizmente o Brasil é um país burocrático demais para colocar as leis para funcionar. Um exemplo? Lei Seca, só existe no papel, na pratica nada acontece!
De nada adianta estradas em boas condições se a índole do motorista é voar e não trafegar pelas estradas!

Cassiane Schmidt | Gaspar

Edição 1350

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Palavras

A palavra é meu pôr do sol
É o que me lava de toda angústia
É para tristeza um anzol
Minha constante busca.

A palavra é meu silêncio
Minhas ruas
Quanto mais escrevo
Mais me sinto nua

É difícil contornar o espelho
Olhar pra traz
Encarar os medos
Dizer nunca mais

Retiro da estante um porta-retratos
Escondo na gaveta uma vida
Os sonhos viram fatos
E o horizonte se transforma em partida...




Quem disse que a vida é fácil?

(Cassiane Schmidt)

Felicidade

Tenho um sonho de ser feliz
Nuances de esperança
Quero um sonho raiz
Onde a alegria do mundo canta.

Sonho com uma roda de amigos à minha volta
Um violão desconcertando meu sorriso

Meus olhos feito orlas
Arrancando meus espinhos

Sonho com a pele bronzeada dos dias
Um espelho sem arranhão
Janelas floridas
Mergulhadas no meu sertão

Quero a colmeia dos sonhos
Andar sem pressa
Rumo ao meu encontro
Lá, onde tudo começa.

Quero paredes sem lados
Cortinas novas pra minhas frágeis retinas
Amanhecer com o sol nos lábios
Ser a ponte que aproxima.

(Cassiane Schmidt)

Contradição

O abismo da página
Grita silêncios
Ao som disforme dos momentos
As horas traçam linhas imaginarias



Divido em partes iguais
O passado e o presente
Quero um pouco mais
Dos sonhos de antigamente.



Somos anfitriões do tempo
Ele nos sorri seus ponteiros.
A vida é um breve momento
Deus, um aposentado relojoeiro.



Não há nada de grave nisso
É preciso dar o primeiro passo
Rumo ao equilíbrio (que não existe)
É como querer dar um laço
Na contradição que nos divide.



Cassiane Schmidt

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Enganos...


A larva que consome o primeiro sorriso
Germina paixões, frutifica palavras
Conta gotas de lágrimas!
O sabor do mundo é cítrico!


A esperança sempre nasce do acaso
De um gesto inocente, árido.
A felicidade é feita de rastros
Momentos isolados, solitários!


O infinito existe onde o pensamento mora
Lugar aonde as forças descansam.
Ruinas retratam memórias
Enquanto a alegria declama:

Aprendi a apagar
O fogo disfarçado de chama...
aprendi  a cavalgar com os pés na lama!
?

(Cassiane Schmidt)

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Bom dia!


A edição exibida pelo Jornal de Santa Catarina no dia 29 de setembro de 2011, contou a história de um gari de Balneário Camboriú; todos os dias, ao amanhecer, ele usa seu rastelo e escreve um enorme BOM DIA na areia da praia. O fato chamou a atenção dos moradores locais e, logo, Lauro de Menezes Andrade, 38 anos, mais conhecido como Martins, se transformou numa figura carismática nas areias de Balneário. Os moradores relataram que o gari vive com um sorriso nos lábios e está sempre bem humorado, rastelando BOM DIA por onde passa.

Martins encanta quem mora nos arranha-céus da Avenida Atlântica e aos que visitam a orla. Os frequentadores mais assíduos já o batizaram de Amarelinho, inspirados na cor do uniforme que ele usa para trabalhar.

Este simples gesto nos mostra que a felicidade e o otimismo desconhecem classe social, desconhecem profissão, é uma questão de escolha. Ou escolhemos a alegria, ou a tristeza vai ocupando as cadeiras da nossa vida!

É tão comum vermos empresários, gente poderosa e rica, mas, que ao mesmo tempo, são incapazes de dizer um simples: bom dia! Vivem carrancudos, não são capazes de cumprimentar nem os próprios funcionários de suas empresas.

E o quê dizer de pais e filhos que mal dirigem a palavra uns aos outros ao amanhecer?

A vida, cada vez mais, ensina que a felicidade é uma questão de escolha, independente das perdas que tivemos, das desilusões que sofremos, é fundamental que consigamos visualizar os ganhos que estão por vir.

Muitas vezes as pessoas acabam ficando presas ao passado, lamentado o que se foi. Fecham-se para as inúmeras possibilidades que podem surgir; sobrevivem rumando às sombras do passado, sofrendo o que deixaram de fazer, contabilizando as más recordações. Tenho uma teoria, acredito que assim fica mais fácil fugir do presente, da dor que toda mudança gera, do medo do fracasso, afinal, o novo é sempre é tão assustador!

Martins, o gari de Balneário, ensina-nos uma preciosa lição, para ser feliz e para tornar o mundo a nossa volta mais feliz, bastam pequenos gestos, é nos pequenos gestos que encontramos a possibilidade de transformar nosso ambiente num lugar mais habitável.

As pessoas estão cada vez mais preocupadas em manter seu padrão de vida, estão mergulhadas no ritmo frenético e exigente de suas profissões, que acabam se transformando em pessoas incapazes de dizer um simples bom dia. Voltados para si e para suas necessidades individuais, muitos de nós acabamos nos exilando do mundo à nossa volta.

Deste contexto nasce uma nova realidade, pessoas mais simples e menos preocupadas em manter padrões sociais escravizadores, acabam “curtindo” mais a vida, ou seja, são mais felizes, valorizam as coisas simples e primam pelo contato humano, pela solidariedade! Muitas vezes o mais nos transforma em menos...

...Bom dia...                                                                                                                     Cassiane Schmidt

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Inesquecível professor


Dia desses deparei-me com uma frase que me fez refletir, no inicio cheguei a divergir do seu autor, mas depois de um tempo, passei a entender melhor o seu significado. Essa frase reportou-me a um episódio vivido há alguns anos atrás, numa pequena sala de aula, onde habitava uma grande professora. Vamos à frase, depois, creio, os leitores compreenderão aonde essas linhas pretendem chegar:

“Educação é aquilo que fica depois que você esquece o
que a escola ensinou
. Albert Einstein.

Quem não guarda lembranças de algum (a) professor (a) que marcou sua vida durante a trajetória escolar?
Tudo bem que muitos guardam lembranças tristes e traumáticas, eu mesmo possuo um par delas.

Contudo, hoje, especialmente, pretendo falar em nome dos professores que tratam seus alunos com amor e respeito, pois, quem disse que professor também não tem a obrigação de respeitar os alunos, quem?

Nunca me esqueço dum dia que marcou minha vida, eu tinha não mais que oito anos de idade, cheguei à escola com os olhos inchados e com o coração despedaçado! Neste dia, havia apresentação de redações. Eu não havia me preparado, muito menos realizado a redação, a professora, geralmente, chamava a atenção com certa severidade dos alunos que não cumpriam suas obrigações escolares.

À medida que os alunos eram chamados pela professora e dirigiam-se a frente da classe para lerem suas redações, meu coração apertava mais, eu sentia um nó na garganta que me sufocava de maneira terrível.

A chamada era por ordem alfabética, na sala não havia muitos A, alguns B e o C se aproximava... Enquanto os alunos liam suas redações, eu me encolhia nas lembranças de minha mãe, que havia sido hospitalizada no dia anterior, ela passou muito mal e ouvi alguns tios e tias comentando que seu estado era grave. Nem preciso dizer que a redação ficou de lado, assim como a alegria que habitava em mim; acredito que não há pior experiência para uma criança do que ver sua mãe doente!

Mas, para minha surpresa, a professora pulou meu nome, passou do C diretamente para o D, senti um alivio profundo, pelo menos, do sermão da professora eu havia conseguido escapar, enquanto a tristeza e a angústia de saber como estava minha mãe tisnavam meu semblante com as cores cinza da tristeza.

Terminada a aula, antes que eu pudesse alcançar a porta de saída, a professora me chamou. Jamais me esqueci do seu gesto. Ela passou suas delicadas mãos sobre meus cabelos, amparou com seus dedos finos uma lágrima que se desprendeu do meu olhar, e me abraçou. Naquele instante me senti tão acolhida e compreendida como nunca havia me sentido, pelo menos não por uma professora.

Gentilmente ela me perguntou o motivo de eu ter chorado a aula toda, enquanto meus amigos liam suas redações. Expliquei-lhe o motivo e recebi um aconchegante olhar de esperança vindo dela.

Penso que foi isso que o Einstein quis dizer com sua controversa frase.

Desenvolver olhares diferenciados é essencial para o professor que almeja sucesso em sua carreira. Muitas vezes, recebemos na sala de aula crianças e adolescentes arrasados pela dinâmica familiar, casos terríveis, mas o olhar dos professores torna-se linear, olham caricaturas e não seres humanos, nem preciso dizer que isso não é uma regra, há maravilhosas exceções, onde os professores veem em seus alunos muito mais que um simples nome no diário escolar. Aprendi uma das mais preciosas lições com minha professora: solidariedade!

Os alunos merecem solidariedade. Muitos alunos manifestam suas inquietações e dilemas pessoais através da indisciplina, outros através da omissão, outros ainda, se refugiam no silêncio. O importante é o professor estar atento, mais que os ensinamentos da gramática, matemática, geografia, o aluno precisa aprender com o professor a ser mais humano, o caminho é a sensibilidade de saber olhar... De estar pronto para acolher, isso também é educar!

Cassiane Schmidt

segunda-feira, 21 de novembro de 2011


Sempre é tarde para o relógio
Esse inimigo analógico, perturbador.
Fatos e fotos sobrevivem ao passado
Por que a solidão sempre respira dois lados?

A inexatidão do tempo mastiga nossa felicidade
Saliva futuros ao sabor dos ventos
Eterniza importantes momentos


A cortina dos dias tece meus horizontes
Há uma alegria em ser triste
Algo que queremos e nunca existe...
Um rio de felicidade sem ponte!

As palavras me consomem
Alimentam-me feito vidro estilhaçado

                 Fome

?  
                                                          ?

                                          Estrago!


C

             A
          S
 S

             I
 A
              n
                                e

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Oração do poeta...ou...




Oh, Deus, dai-me as palavras incertas

Na hora inexata dos sentimentos

Dai-me água enquanto eu suplico sede

Dai-me luz, enquanto a escuridão é meu espelho!

Diga-me não... Diga-me sempre não!

Derrube meus versos no piso azulejo da solidão

Não há mito sem contradição

Nada de certezas, de rimas e explicações.

Há apenas o inaudito, o arrepio de pele, aquele grito...

As pupilas dilatadas, o blush marcado de água saliva suor, dor cor-de-rosa.

A poesia nasce sempre do chão, e a alegria sempre dorme no não!

 Não...

A poesia nasce sempre do chão, e a alegria sempre dorme no não!
 \\\????
Não...

sábado, 12 de novembro de 2011

Sentidos


Correria diária, acorda, dorme, acorda e tudo de novo, sempre. Quase sempre nada novo.

A mesma coisa todos os dias no embalo senil da rotina!Os velhos caminhos que nos destilam, que nos orientam, compilam nossa vida num ritmo frenético, reduzindo-nos a calendários e paredes.

A vida é tão breve e intensa que, às vezes, penso que não cabe nessa monotonia.

Lembro-me de quando era criança, os adultos me indagavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje eu responderia: ser feliz, apenas.

Aí é que mora o fogo que acende essa reflexão!

Vivemos atropelados pela rotina dos dias, exercemos nossa profissão, na mesa o pão de cada dia, nos olhos, com sorte, resquícios de alguma alegria.

Tempo, senhor dos destinos, onde moram tantos clichês, mas uma coisa é verdade, o tempo é um velho amigo,para alguns, inimigo, o fato é que ele nos espreita por todos os lados, nos impõe seus saldos.

Por isso, e por tão menos, sou uma saudosista irreversível da infância, pois lá, naquelas terras coloridas e distantes, o tempo simplesmente não existe, não com tanta frequência, não com obstinada exigência.

Parece-me que à medida que nos distanciamos da infância, nossos sentidos sofrem alterações, permitam-me aqui, uma visão particularizada da cronista, mas é assim que sinto.

Visão, por exemplo, na infância a visão era tão mais colorida, as árvores bordadas em verdes cintilantes e recheadas de frutos amarelos esverdeados, a lua recheada de luz, tudo era muito mais colorido com os óculos da infância!

E o que dizer do paladar, ah, esse então, nem se fala... Quem não guarda memorias da infância no paladar, quem? O gosto cítrico das frutas apanhadas diretamente dos galhos, misturada às brincadeiras e fomes inocentes, o sabor da sopinha toda pintada de verde cebolinha da vovó? Quem não possui memorias gustativas dignas de saudade?

O olfato, esse poeta dos perfumes, sou capaz de lembrar, se fechar bem os olhos e me concentrar, eu sou capaz de sentir o cheiro do bolo que minha mãe assava todos os sábados no velho forninho elétrico, aos meus oito anos de idade, posso sentir o cheiro do pó acalmado pela garoa de um final de tarde de verão, o cheiro entusiasmado das flores de laranjeiras florindo!

Hoje os sentidos afloram desacostumados, adormecidos, sei lá, ajudem-me a encontrar a explicação... Se é que ela existe!?

Ensinam-nos que quando crescemos devemos nos preocupar mais com as respostas do que com as perguntas!... (...) e o que fazer então, num mundo florido de contradição, onde seguir a regra significa a perfeição?...



Cassiane Schmidt

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Celebração da vida...

William-Adolphe_Bouguereau_(1825-1905)_-_The_Day_of_the_Dead_(1859)

Hoje, dia 2 de novembro, celebramos o dia de finados, a data foi instituída pela Igreja Católica com o objetivo de prestar homenagem aos nossos entes queridos, que já não compartilham mais da nossa convivência.
Neste dia, pelos cemitérios Brasil afora, misturam-se flores e saudades, dores e esperança. Pessoas cobrem os jazigos com flores coloridas, desaguam sua dor, acendem velas, rezam um pai-nosso, quem sabe dois, e depois vão para suas casas, seguem suas vidas...
Passado o dia de finados, mergulhamos no abismo frenético de nossas rotinas, as flores nos cemitérios murcham, as flores artificias desmancham-se ao calor do sol, as velas se apagam.
Respeito muitíssimo essa data, considero-a uma data digna de feriado, muito mais do que outras que comemoramos aqui no Brasil, no entanto, ocorreu-me um pensamento, ao ver-me agarrada às lembranças dos meus queridos finados, percebi que muitas vezes não celebramos a vitória de estar na presença das pessoas que ainda habitam entre nós, não paramos para pensar que a vida é feita de chegadas e partidas e que jamais saberemos a hora de dizer adeus.
O que pretendo refletir é que devemos investir na vida, enquanto ela nos é possível, e a nossa vida são as pessoas que amamos.  Infelizmente, o que mais se ouve num dia de finados, ao pé da sepultura, são lamúrias de pessoas que dizem: “eu queria poder dar o último abraço”, “eu queria ter pedido perdão”, “eu queria ter dito o quanto ele (a) foi importante na minha vida”... E por aí vai!
Se é importante celebrar o dia de finados, mais ainda deveria ser, celebrar a vida de quem ainda permanece ao nosso lado, aproveitando a convivência da melhor forma possível, para que no dia da ausência estejamos preparados para lidar com a dor, longe das amarras do arrependimento de não ter feito aquilo, de não ter dito isso.
Jamais saberemos a hora exata de partir, de dizer adeus, não sabemos se é hoje, amanhã, por isso, não vamos desperdiçar nenhuma oportunidade de demonstrar as pessoas que amamos, de expressar o quanto elas são importantes para nós.
Não poderemos fugir da saudade, mais cedo ou mais tarde ela bate à nossa porta, mas do remorso, ah, esse pode ser evitado, basta que saibamos amar e demonstrar sempre o quanto nossos familiares e amigos são importantes para nós, hoje, agora!

(Cassiane Schmidt)