Tempo de Recomeçar

Tempo de Recomeçar
"Essa história vai emocionar você"

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


Um anjo faz cachoeira em meu telhado,
Cansada do aguaceiro, digo: anjo vai chorar em outro cercado.
O anjo intrigado responde-me: não são lágrimas, é apenas chuva...


Faltou dizer...

Que os céus parem de derramar aos prantos tamanho aguaceiro, espero anciosa pelo vinda do sol no meu terreiro.
Particularmente fico deprimida nesses dias de chuva, enquanto outros longe de mim mofam...

Au Revoir

Vigília da alma...

Espreita-me ao longe uma sombra chamada tristeza,
Convida-me, insiste que em coma em sua mesa.
Quer meu pranto levar para sua correnteza.

Espreita-me ao longe um vulto chamado solidão,
Convida-me, insiste que eu pegue em suas mãos.
Quer minha alma prender na escuridão.

Avisto ao longe uma luz chamada alegria,
Convida-me, insiste que eu prove de sua magia.
Quer fazer do meu sorriso sua moradia.

Avisto ao longe um velho senhor,
Convida-me a ser novamente criança.
Pergunto: quem és tu que não rimas em minha poesia?
Responde-me: sou o amor.

Amor,
Como prova de minha alegria
Dar-te-ei meu coração
Para que juntos, tu e eu,
possamos compor uma nova oração.

( Cassiane Schmidt)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Exílios do coração



Minha alma possui mistérios
Onde reinam segredos
Do amor faço meu império
Da fé a superação dos medos.

No olhar puro da criança descobri a candura
No grito de medo a dor
Quiçá existisse somente a ternura
A vida seria assim tão pura como um uma flor.

Meu sonho não tem fronteiras,
E por eles pretendo lutar
Como Joana D´Arc guerreira
Hei da vitória alcançar.

Meu coração possui um altar sagrado
Nas noites sem fim uma oração me conduz
Que saudade sinto de meu amado
A esperança fatalmente seduz
Meu coração possui um altar imaculado
O segredo é só meu, esta sacramentado.

O amanhecer traz consigo as lembranças
O poeta longe de mim regurgita suas esperanças
Distante, carrega no peito um amor como herança,
Na memória a saudade de sua amante.
Vidas que se foram, o sonho em mim se perpetua
A paz que acalanta minha alma diz-me:
Um dia serei novamente tua.



( Cassiane Schmidt)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Outonos de minha infância...


Das janelas envergadas de minha infância,
Avisto ao longe um tempo chamado esperança,
Guardado no sepulcro imortal das doces lembranças.
A vergasta cruel do tempo furtou-me a mocidade
Lançando-me ao degredo da mórbida saudade.
Suplico com veemência,
Afasta-se de mim velha imperfeita do tempo,
Teu nascimento criou descompasso,
Tirou-me do passo das inocentes cirandas


Sinto o cheiro das laranjeiras,
Ouço o barulho do vento descabelando o velho pé de ingá,
Fazendo suas folhas no céu azul bailar
Borboletas riscam o cenário com sua beleza,
Flertando com as flores, num arrojo de encantar.
Como é doce o licor da saudade de minha infância,
Enchem-me de torpor os sentidos,
Formando quimeras em abundancia.


O tempo livre de outrora aprisiona um pequeno anjo sem asas,
O berço do passado revela velhas cantigas,
Que embalam o pobre anjo no acorde de suas rimas.
Naquele lugar ainda vagueiam perdidos os vaga-lumes,
Os mesmos que iluminaram noites órfãs de lua.
O silencio faz barulho em meu peito,
Revelando a verdade que se apresenta nua,
Toca-me a face o beijo da noite, o beijo do medo.


Sinto o cheiro de terra molhada,
Em que meus pés um dia deixaram pegadas,
Ao longe ecoam os sinos da velha igreja,
Estão brindando, ou a vida, ou a morte,
Alguém lançado a própria sorte.
Vejo minha face estampada nas fachadas do tempo,
Meus pés descalços perdidos ao relento.


Quanto mais longe consigo ir,
Mais perto estarei do que fui, do que sou.
E quando cansada, exausta de mim, voltarei a sonhar.
Juntarei os cacos de vidro de velhos porta-retratos.
A paisagem então ficara mais clara,
Saberei onde meus braços irão repousar.


Os caminhos que me guiaram até aqui,
Guardam meus passos, meus charcos, meus laços,
Fios de cabelos presos nas arvores de jardim,
Sabem tanto de mim,
Embalaram-me nos veios do acalanto,
Guiaram-me pelos arrabaldes do encanto.
Onde estas? Onde estou?
Presa nas folhas de um outono em pranto,
Prostrada no altar sagrado do que de mim restou.



(Cassiane Schmidt)

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Renovação

A águia vive aproximadamente setenta anos. Quando chega pela metade de sua existência, seu bico está enfraquecido e gasto, as unhas de suas garras estão fracas, de modo que não consegue mais segurar suas presas e suas penas tornaram-se pesadas devido à sujeira acumulada nesses anos, dificultando-lhe o vôo.Neste momento, a águia deve tomar uma decisão: ficar como está e enfrentar a morte certa, ou iniciar um doloroso processo de renovação. Algumas optam pela primeira alternativa. Essas são as fracas, as que se entregam sem lutar. Desistem de viver com medo da dor e da mudança. Outras, no entanto, seguindo o instinto de sobrevivência, desafiam a dor da renovação.Essa renovação começa a ocorrer quando a águia busca abrigo em alguma fenda do penhasco, onde se abriga de outros predadores. A ave, então, começa a bater o velho bico contra a rocha até conseguir arrancá-lo e espera que nasça outro.Em seguida começa a arrancar as velhas unhas com o bico novo. Quando novas unhas surgem, a águia começa a usá-las junto com o bico, para arrancar as penas endurecidas e sujas.Somente depois desse ritual de renovação, a águia recupera as condições de voar novamente.

Imaginem caros leitores, que processo doloroso pelo qual a aguia se submete em nome da vida, da renovação. Sejamos corajosos como a aguia, a renovação não é tarefa fácil, mas necessária para manter-nos vivos. Mais uma vez eu lembro que o caminho para renovação é o autoconhecimento, pois como é possível renovar o que não se conhece...
Desta forma, a renovação constitui as chaves que libertam o homem das amarras dos vicios, das posturas mentais doentias e contraproducentes ao cumprimento da programação existencial.

sábado, 22 de dezembro de 2007


Encontro, encontre-se...

Depois do desconforto de ficar por longas horas, dias, meses, anos, sem as bases do auto-conhecimento, sugiro experimentarmos abrir as portas desse porão empoeirado, fazer uma faxina na Casa do eu. Você conhece essa casa? Eu ainda não! Pergunta-me, ainda não conheces? Respondo-te: não. Essa casa é grande, nela há muitos labirintos, armadilhas e alçapões.... Mas é preciso começar a descobri-la.
Descer as escadas não e fácil, olhar no espelho, quebrar a velha taça de vinho, de sangue. Falo em descer com a intenção de lembrar que a escala de tempo aqui é decrescente, sempre. Haja vista que estamos numa expedição em busca de nós mesmos, a bússola para não se perder é a coragem.
Imaginem uma parede pichada, varias cores, formas, todas disformes, incompletas e confusas, assim somos nós na maioria das vezes.
O desconhecimento da origem das tendências, dos gostos e desgostos, nos tornam vulneráveis ao tirano que há, pasmem, dentro de cada um nós, não há fera mais impiedosa do que a bestialidade de não saber quem se é.
E preciso coragem para sair de casa, de dentro, de olhar para dentro, sem medo, sem pudor, sem rancor, sem hipocrisia.
É preciso descer as cavernas do interior, escalar delicadamente nossas emoções, e principalmente, nossas reações.
É preciso coragem para encontrar velhas pessoas, desfazer quadros psíquicos doentios, perdoar, arranhar as lembranças, fazer sair o sangue da magoa estancado na epiderme mais profunda. Uma viagem pelo passado, descobrir onde nos perdemos, onde aprendemos a não nos amar, visitar a casa de bonecas da infância, olhar-se profundamente, um estado de contemplação profunda e solitária.
Sair do conforto para o desconforto do auto-enfrentamento, uma procura pelos arquivos secretos do tempo, os maiores arquivos a nosso respeito encontram-se na família, abrindo o arquivo familiar isento de julgamentos medíocres ter-se-á acesso a nossa literatura, aquela que delineou parte, grande parte do que somos hoje, do que acreditamos Ser.
Vai, abre sem medo! Chore, ria, mas jamais sinta piedade de você, a auto piedade enfraquece as pernas nesse caminho, que é por demasiado longo. Não desista siga em frente, sei que alguns espinhos far-te-ão doer os pés, mas siga. Passe pelo jardim, pise no lodo sem medo de sujar os pés, é necessário coragem para rever velhas figuras, velar e enterrar velhos ídolos talhados ingenuamente. Destarte, como num trem fantasma, passaremos pela escuridão, lapsos de luz, gritos de dor, sorrisos histéricos, até chegar à superfície. E, então cansados, afogados dentro de nós, sairemos mais fortes, mais conscientes, aprenderemos a aceitar nossas limitações, sem auto piedade, mas (Com-paixão) o caminho de volta para casa ficara mais fácil. Lembre-se nada de julgamentos, simplesmente ame sua história, pois agora voçe ja a conhece.


(Cassiane Schmidt)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Considerações...

Abrem-se os portões, os portões do novo ano – péssima metáfora- penso, imagino que muitas idéias, vícios, amores, dores irão conosco para a nova fase, muitas ficarão para trás. Uma espécie de velório silencioso, onde sepultamos dolorosamente o que não cabe mais, perscrutamos o intimo da alma e, despedimo-nos de parte de nós, mata-se um pouco de nós mesmos para poder manter-se vivo.
Sinto uma nostalgia boba nesta época de natal, uma enfadonha alegria descontente, uma espécie de paz desconfortável.
Hoje embrulhei os presentes dos meus, muito mal embrulhados por sinal, sou péssima embrulhadora (juro que imaginei que o Word ia me corrigir, mas acho que a palavra embrulhadora existe) Aurélio, o que me diz?
As considerações deste ano que se vai, não são de todo ruins para mim, aliás penso ter avançado muito em alguns sentidos, e regredido um pouco em outros, somos aprendizes de uma escola sem mestre, precisamos ordenar-nos por força e fé, o que não é fácil, mas necessário.
Em termos de ordenação creio precisar ler mais, como numa Santa Ceia Sagrada, preparar a mesa com um banquete literário satisfatório, leio pouco e mal!
Agradeço a Deus pelas infinitas bênçãos que tenho na minha vida, as pessoas que me apóiam e me amam verdadeiramente.
Meu pedido de Natal é paz para as crianças, que todas possam ter sua infância preservada, a infância é espécie de terreno fértil onde plantamos nossos sonhos, portanto, nosso futuro. Percebo como minha infância contribuiu para minha formação, lembro-me da coleção de livros que minha “sábia Mãe” comprava, eu os devorava, amava, como é importante esse primeiro contato dos pequenos com o livro. Faço um adendo aos pais, presenteiem seus filhos com livros, é fantástico o resultado.
Alguém outrora me perguntou sobre um sonho oculto...
Resposta:
Sonho para um dia: tomar café da manhã com Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, almoçar – se ainda eu conseguir-com Sócrates, tomar café da tarde com Heidegger e, adormecer embriagada nos braços de William Shakespeare.... Acordar com o Adolfo....mas não o Hitler, juro.

Sem mais.

(Cassiane Schmidt)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Partida e chegada...


Nada há nesta vida que se parta sem partir...
o coração se parte ao partir...
Mas será que parte-se por inteiro, ou pela metade
Mas que parte de nós vai?
Que parte fica?

Será que vai tudo? ou fica um pouco de tudo
Será que parte o que não se têm, nunca teve
Não há partida sem partilha, nem que seja de dor
O amor partido, apartado, falado, sentido, quebrado

Olha para trás, vê bem, olha de novo...Vê algo?
Vejo uma fogueira...mas a tempestade esta se armando
Anunciando a fuga derradeira
Corro tento apanhar madeira seca (Amor Verdadeiro) para não deixar o fogo apagar...

Será que a madeira conseguirá manter aceso o fogo? pergunto...será?
A resposta:
Depende da Tempestade....
Depende do fogo...

(Cassiane Schmidt)


terça-feira, 11 de dezembro de 2007

A passagem "E se tivessémos apenas mais um dia?"


É com essa pergunta que inicio minhas reflexões de hoje.
Essa é a pergunta que venho me fazendo ultimamente, estado de profunda reflexão a qual me remeti diante da da tristeza sofrida por centenas de pessoas que sentiram a perda de seus entes queridos, sem ter “tempo” de se despedir.
Tudo isso nos remete impreterivelmente a um estado de reflexão profunda acerca dos dois anjos que seguram nossas mãos Vida & Morte, verdadeira gangorra na qual jamais saberemos a hora em que seremos convidados a nos retirar do grande palco da vida!
Precisamos compreender que a vida caracteriza-se como uma bela peça de teatro e, que nós somos os autores de nossa própria história, infelizmente nos esquecemos que como toda história, a nossa também chegara a um Fim.
É quando as luzes se apagam, as cortinas se fecham, ficamos sós, calados num monólogo interno a meia luz, a sombra de uma vela, presos no limbo das emoções mais profundas... Calam-se as vozes, lágrimas secam sobre as faces, o passaporte é carimbado!
Mas essa viagem não é como em uma viagem, em que nós temos tempo de preparar nossas malas, levar nossas melhores roupas, escolher o perfume preferido, a foto do amado (a) no bolso, de nos despedir dos nossos , com um até logo....aqui tudo e rápido demais....
Eu sei que parece muito triste, mas precisamos pensar que temos um tempo, e a intenção deste texto é convidar a refletir sobre esse “tempo”, a maneira como aproveitamos o maior veiculo de crescimento nos dado na Terra. Como queremos estar quando tivermos que partir?, nos despedir?.
Abraços que deixamos de dar, sorrisos contidos pelo orgulho de simplesmente dizer Eu te amo, eu te perdôo.
Estamos aprendendo a economizar Amor, carinho, compaixão, façamos de nossa vida uma viagem linda, abandonemos definitivamente o lastro dos medos infundados, vamos erradicar as omissões deficitárias que nos impedem de viver por inteiro!
Jamais saberemos a hora exata de partir, de dizer Adeus, não sabemos se é hoje, amanhã, por isso, não vamos desperdiçar nenhuma oportunidade de demonstrar as pessoas que amamos o quanto elas são importantes para nós.
Viver a vida de tal sorte que possamos carimbar nosso passaporte de volta para a casa com a sensação do dever cumprido.
A máxima desta reflexão é a de que seremos eternizados pelo bem que fizemos, somente pelo bem, o inverso também é verdadeiro, o sofrimento moral por tudo de bom que deixamos de fazer, talvez seja essa a maior dor emocional sentida na hora do inevitável regresso.
No arcabouço das emoções, criou-se a metáfora, a certeza de que somos peregrinos, viajantes, algumas vezes andarilhos, escrevendo nossa estória na Terra.
Acabamos herdando uma estática psíquica de viver o futuro, ou estamos presos nas incertezas do futuro, ou estamos lamentando o passado, ou seja, estamos vivendo tempo nenhum.
Aprender viver o presente significa comprometer-se com a beleza, a aventura, os desafios que existem somente no agora, no hoje. Vamos abandonar essa fuga emocional de viver num tempo que não existe e vamos viver por inteiro o único espaço de manifestação que dispomos- O AGORA-, pois somente neste tempo que conseguiremos cumprir nossa programação existencial satisfatoriamente.
Concluindo o pensamento, convido a todos a reorganizar sua bagagem, jogar fora tudo aquilo que nos impede de crescer, construir um Lugar Seguro em nossa consciência, o caminho é o Amor.



(Cassiane Schmidt)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Lembranças de dezembro...


O natal se aproxima, junto dele sou invadida por recordações, lembro-me de minha infância, terna, intensa. Todos os natais eram aguardados com ansiedade, demorava tempo para chegar, hoje chega tão rápido, hoje tudo passa rápido demais. Mudaram as horas? Talvez o relógio de hoje não caiba em meu pulso...

Lembro-me com um saudosismo exagerado da época mais bela de minha vida, corria livremente, como pássaro solto, livre, feliz. Rabisquei no chão de outrora os mais lindos sonhos, as mais belas recordações.
Quiçá pudesse abrir as portas do passado, trazer todos comigo, juntar todos os cães que catei na rua, juntar meus brinquedos, meus segredos, os medos – eram tão poucos- as alegrias eram muitas.

Reunir os amigos, sentir o pé no chão, dar uma passadinha no jardim de infância, mergulhar no rio infinito das possibilidades de se embebedar de alegria, agora entendo o que seria um contentamento descontente...

Um dia apenas me bastaria, abasteceria minha alma de tanta energia, viveria intensamente cada segundo, voltaria para Mim, descobriria onde foi que me perdi...
A infância são as férias que a vida nos proporciona.

Um dia descobri que papai-noel não existia, ao contrário de muitas crianças, nada de trauma, e daí! ; O natal existe. Minha família estava ali, as favas com o papai-noel...
as incoerências sempre estiveram presentes, hoje eu sei.

Mas o que importa não são as lendas, mas o que elas nos trazem...
Não são presentes, mas as pessoas que estão presentes.
Não é a ceia farta de natal, é a mesa cheia, cheia de gente...

O que importa verdadeiramente é estar junto das pessoas que amamos,
é saber suportar com dignidade a ausência das que se foram..
Passei muitas noites antecedentes ao natal em vigília, olhos fixados no Céu, esperando a renas trazerem o papai-noel, elas nunca vieram e, mesmo assim os presentes sempre estiveram ali, embaixo do pinheirinho....

Hoje olho para a escuridão da noite e sei que as renas não descerão com o “pobre velhinho” de céu abaixo, mas eu ainda consigo ver Deus.
É para Deus que eu peço neste natal a proteção para todas as crianças, rogo a Deus que de a todas elas uma família, uma noite de natal memorável em suas vidas, pois sei que acolhidas pelo amor seriam todas luzes brilhando no Céu, estrelas cadentes desmanchando-se de alegria.

Enquanto houver uma criança triste e abandonada na terra, não poderemos sentir a felicidade plena, somos uma grande família.
O planeta é a casa comum a todos nós.
O teto de nossa casa é o céu. As portas, o coração. As janelas, a alma.
Muitas vezes Deus bate em nossa porta, pois então que estejamos preparados para abri-la...

(Cassiane Schmidt)


quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

A Dúvida, a Solidão, logo... a Escrita


Na vida, chega um momento - e penso que ele é fatal - ao qual não é possível escapar, em que tudo é posto em causa: o casamento, os amigos, sobretudo os amigos do casal. Tudo menos a criança. A criança nunca é posta em dúvida. E essa dúvida cresce à sua volta. Essa dúvida, está só, é a da solidão. Nasce dela, da solidão. Podemos já nomear a palavra. Creio que há muita gente que não poderia suportar o que aqui digo, que fugiria. Talvez seja por essa razão que nem todos os homens são escritores. Sim. Essa é a diferença. Essa é a verdade. Mais nada. A dúvida é escrever. É, portanto, também, o escritor. E com o escritor todo o mundo escreve. É algo que sempre se soube. Creio também que sem esta dúvida primeira do gesto em direcção à escrita não existe solidão. Nunca ninguém escreveu a duas vozes. Foi possível cantar a duas vozes, ou fazer música também, e jogar ténis, mas escrever, não. Nunca. Marguerite Duras, in 'Escrever'
(Marguerite Duras)

Adormecida

Estou lendo Castro Alves, gostaria de compartilhar este poema "Adormecida" com voçes, este é um daqueles raros e caros poemas que conseguem pegar a gente pela mão e nos colocar dentro dele...sentir o cheiro, ver as cores, uma tela de cinema, poucos escritores conseguem fazer isso...
maravilhoso Castro Alves.


UMA NOITE, eu me lembro... Ela dormiaNuma rede encostada molemente...Quase aberto o roupão... solto o cabeloE o pé descalço do tapete rente. 'Stava aberta a janela. Um cheiro agresteExalavam as silvas da campina... E ao longe, num pedaço do horizonte, Via-se a noite plácida e divina. De um jasmineiro os galhos encurvados,Indiscretos entravam pela sala,E de leve oscilando ao tom das auras,Iam na face trêmulos - beijá-la.Era um quadro celeste!...A cada afagoMesmo em sonhos a moça estremecia...Quando ela serenava... a flor beijava-a...Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...Dir-se-ia que naquele doce instanteBrincavam duas cândidas crianças...A brisa, que agitava as folhas verdes,Fazia-lhe ondear as negras tranças!E o ramo ora chegava ora afastava-se...Mas quando a via despeitada a meio,P'ra não zangá-la... sacudia alegreUma chuva de pétalas no seio...Eu, fitando esta cena, repetiaNaquela noite lânguida e sentida:'Ó flor! - tu és a virgem das campinas!'Virgem! - tu és a flor da minha vida!...' Ses longs cheveux épars la couvrent tout entièreLa croix de son collier repose dans sa main,- Comme pour témoigner qu'elle a fait sa prière.Et qu'elle va la faire en s'éveillant demain. A. DE MUSSET
(Castro Alves)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Codificando Desejos






Eu preciso de pureza para viver
De sonhos para me alimentar
De desafios para superar
De anjos para me guiar
De fé para não desistir
Eu preciso do sorriso inocente da criança para acreditar que a vida vale a pena
Eu preciso de abraço para me sentir viva. De vida para poder abraçar.
Eu preciso saber a hora certa de parar, de ir adiante, mas nunca voltar..... Voltar no mofo do passado, das alegrias e tristezas, todas postas na mesa....
Quero forças para me entender, me perdoar
Quero arrancar do meu peito este coração.
Este coração que me trai, que me arrasta para fogueira....
Quero deixar no coração daqueles que passaram por mim uma lembrança bonita....
E quando as cortinas do palco da minha vida fecharem-se diante do inevitável regresso,
quero poder sentir o abraço de uns cem braços, o acalanto, verdadeiro, derradeiro, de tudo o que eu pude Ser: Amor verdadeiro
(Cassiane Schmidt)

Coragem para evoluir


Caro leitor, inicio minhas reflexões de hoje pensando sobre a importância da coragem em nossas vidas, convido a todos a viajar comigo no desafiante caminho, nas veredas da coragem existencial como condição para uma vida mais feliz! Coragem para evoluir surgiu da reflexão acerca da condição humana na Terra, das angustias, alegrias, sonhos, tristezas que carregamos no coração, pensar a vida como palco infinito da manifestação humana, demasiadamente humana, preocupa-me a manifestação subumana, precisamos nos melhorar. Importante se faz refletir sobre o papel da coragem em nossas vidas, coragem para recomeçar a cada novo amanhecer, coragem para amar, para não perder tempo, para aceitar, dizer sim, dizer não, para chegar e partir. “Coragem para olhar nos olhos mais lindos do mundo pela ultima vez, e esperar pacientemente que as mãos generosas do tempo se encarreguem de secar as lagrimas”... A coragem supõe desafios, desafio de escolher um caminho, mesmo sabendo que este não será o mais fácil, mas o necessário. A palavra coragem, repetida varias vezes aqui tem a finalidade de inspirar, de ser a mola propulsora que não nos deixa desistir das coisas que realmente importam em nossas vidas, de ser a virtude inseparável do amor. A coragem precisa ser encorajada, o Homem não nasce corajoso, ele se faz corajoso. Quiçá nossa consciência pudesse se apropriar definitivamente dessa inteligência chamada coragem, para que pudéssemos ir além. Além do que nossos olhos podem ver, alem do que nossas mãos possam tocar. Hoje a coragem de Thomas Edison ilumina nossas casas, a coragem de Santos Dumont rasga os céus encurtando distancias, a coragem de Henry Ford se perpetua em nossas garagens, a Coragem de Jesus que ascendeu uma chama eterna em nossos corações, nos lembrando que somos Filhos junto com Ele. Imaginem se eles tivessem desistido?. Por isso, tenhamos coragem para seguir o caminho, não desistamos facilmente de nossos sonhos nobres. Vamos seguir com os olhos firmes e o coração forte nos propósitos, nos objetivos, no amor e na Caridade. Falo em amor e caridade, pois eles serão muitas vezes os códigos secretos, o mapa quando estivermos perdidos, quando todos os nossos sonhos estiverem carregados de vazio existencial, o Amor e a caridade serão a placa de sinalização apontando novos caminhos, como nos lembra o sábio apostolo Paulo em uma frase carregada de genialidade humana: Ainda que eu falasse a língua dos homens Que eu falasse a língua dos anjos Sem amor eu nada seria” (Paulo de Tarso-carta aos Coríntios, Cap. 13). A coragem não se faz sozinha, é preciso saber aonde se quer chegar, sem objetivo a coragem é como um navio sem tripulação. Precisamos assumir o leme de nossas vidas, os ideais são a bússola, é preciso nos orientar para não nos perder no caminho, para não nos iludir com ponta do iceberg. Quando tivermos consciência de Onde queremos chegar e de Como queremos chegar, seremos capazes de nos desenvolver, de ver além da razão purista e enclaustra impressa pelos dogmas sociais. Quando tivermos consciência da verdadeira natureza que há dentro de nós, as pedras no caminho serão criações divinas, veremos o sol em plena tempestade, o luar em plena luz do dia. Um chamariz de cores e texturas divinas irão desenhar, dar forma ao mais belo retrato do universo, imaginem Donatello e Michelangelo rasgando suas telas, pasmos diante de tamanha beleza e originalidade pintadas no auge da consolidação do bem. Quando todos os sinos do amor ruírem em todas as s cátedras do universo na mesma hora, os anjos entoarão hinos de amor de pólo a pólo da Terra saudando a alegria e o refazimento acolhedor que somente encontramos na coragem de evoluir.
(Cassiane Schmidt)

Perdão e Auto Cura " Transformando nós em laços"


Caros leitores quero compartilhar com vocês hoje uma reflexão sobre o perdão, pois acredito ser um tema bastante pertinente e que cabe sempre a cada um de nós. Quem um dia não precisou ou precisa perdoar? Ser perdoado? O perdão constitui a chave que liberta o individuo da prisão interna em que muitas vezes somos prisioneiros, subjugados por sentimentos inferiores, sentimentos que diminuem nossa capacidade de amar, de aceitar as pessoas, de viver plenamente. A incapacidade de auto aceitação, de amor próprio nos predispõem a uma conduta emocional rígida, doente e com seria dificuldades de relacionamentos. Sentimentos como a magoa, o ódio e rancor comprometem nosso sistema nervoso, ao receber as influencias negativas dessas emoções nossa imunidade fica vulnerável e criamos a predisposição para contrair doenças. A medicina moderna reconhece, cada vez mais, que os sentimentos negativos ou de ódio para com outra pessoa produzem doenças físicas e psíquicas, provocam enfartes, disfunções coronárias, afecções cardíacas, problemas nos ossos, na pele e no sistema imunológico. Até muitas das nossas doenças – explica a ciência médica – são no fundo produto dos nossos rancores ocultos. O Dr. Carl Simonton e sua esposa Stephani M. Simonton, pioneiros na pesquisa de cura de doenças através de mudanças de posturas emocionais doentias por outras, saudáveis, nos dizem em seu livro - Com a Vida de Novo-, que personalidades com tendência a doença apresentam “inclinação para guardar ressentimentos e marcada incapacidade de perdoar” (Simonton & Simonton, 1987). Faz-se necessário um comprometimento maior, uma proposta de transformação emocional para refazer nossas emoções, para criar uma postura mais flexível e generosa em relação ao outro e em relação a nós mesmos. O amor e o perdão constituem um passo para a liberdade, para a felicidade perene que repousa tranqüila no coração daqueles que atingem um nível consciencial mais profundo. Perdoar é transformar Nós em Laços, e alçar vôo na imensidão do céu azul da generosidade e da compaixão, é abraçar a causa da vida, assumir nossa verdadeira identidade, ter consciência que somos irmãos caminhando juntos, aprendendo juntos, e que nesta caminhada rumo à evolução é preciso generosidade para entender aqueles que não conseguem acompanhar nossos passos. O perdão é o preclaro codificador para uma vida mais feliz, mais plena. Quantas guerras, tragédias poderiam ser evitadas se o Homem conhecesse o perdão. Nosso grande mestre Jesus nos aconselha na passagem em que Pedro pergunta-lhe: Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes?(Mt 18,21) Mas Jesus respondeu a Pedro de um modo inesperado e surpreendente: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete (Mt 18,22). A maturidade emocional constitue um estado de liberdade permanente, inabalavel, capaz de curar as feridas emocionais. Perdoar não significa condescender com o erro do outro, é antes de tudo discordar sem dissentir, e compreender e saber assimilar pontos de vista diferentes. O auto conhecimento e o caminho que todos inevitavelmente devem percorrer, defrontando-se com seus medos, desdramatizando emoçoes reprimidas, tudo isso constituem as vitorias silenciosas na constante e infindavel luta evolutiva. A capacidade de perdoar deve ser desenvolvida, faz-se necessário invenstimento emocional, diretrizes sólidas e conscientes na caminhada da libertação, livrando-se definitivamento do lastro dos medos e das omissões deficitarias, banindo definitivamente a pasmaceira evolutiva que nos impede de crescer. Concluindo o pensamento, vamos juntos numa ação solidaria abraçar a causa de investir na nossa saúde emocional, em nossa reforma intima, lembrando que somos o que pensamos, e que nossas ações sempre irão refletir , retornar para nós infalivelmente. Vamos estender a mão ao próximo com gestos de caridade, dar luz e fazer valer a pena nossa vida. Através da caridade será possivel conhecer e entender o perdão verdadeiro.
( Cassiane Schmidt)