Tempo de Recomeçar

Tempo de Recomeçar
"Essa história vai emocionar você"

segunda-feira, 10 de março de 2008

On the way


Hoje acordei com frio, um frio intenso, uma sensação de estar perdida no meio da selva, sozinha, sem rumo num lugar desconhecido. Estarei ausente aqui do meu cantinho, do conforto do meu blogue que tanto me faz bem.
Em consideração aos meus seletos amigos deste universo da blogosfera, aviso que vou estar ausente esta semana.
Neste ínterim vou estar numa incursão difícil, mas necessária, estarei percorrendo os longos caminhos da reflexão, do auto-conhecimento.Algumas vezes na vida é preciso silenciar tudo a sua volta para poder ouvir o que seu coração tem a dizer, o mundo ficou barulhento, cheio de gente barulhenta, já perceberam como as carroças vazias fazem barulho?! .
Tenho medo de ficar surda, perder a sensibilidade da audição que me fala ao coração. Preciso agora buscar nos ruídos de minha alma as notas para poder compor a minha canção, aquela que irá definir a melodia da minha vida, dos meus sonhos, com barulho isso não é possível, jamais será. Enfim estou a sós comigo mesma, por enquanto isso me basta.

Estarei respondendo todas as mensagens, aos e-mails somente a partir da outra semana.
Obrigado pelo carinho de todos!


Abraços

(>¨<)

quarta-feira, 5 de março de 2008

Pais e filhos

Dia destes, estava eu em uma loja de brinquedos, pude observar um pequeno que lá estava, tinha não mais que uns sete anos de idade.
Ali mesmo na loja, em frente a todos, o garoto ia exigindo de sua mãe uma quantidade sobeja de brinquedos, algo sem limites.
A mãe, uma jovem de uns 19 anos no máximo, surpreendentemente comprou todos para o moleque, alegando diante do olhar abismado da caixa, que creio nunca ter vendido tanto brinquedo para uma só criança,
- vou comprá-los, do contrário ele se põe aos prantos!
Fiquei surpresa, e confesso preocupada com a atitude pusilânime da mãe frente aos desmandos do garoto.
Depreendi da lamentável cena, que dias difíceis virão se os pais não estiverem cônscios de sua responsabilidade na educação, na formação de seus filhos.
Hoje, a criança recebe uma overdose de brinquedos, e no futuro do que será a overdose? ...
Quais os sistemas de compensação que irão satisfazer os jovens, quais as mamadeiras psicológicas das quais irão se saciar?
Os limites são essências na infância, falo não dos limites castradores, que limitam o potencial da criança, que comprometem sua auto-estima, mas do limites saudáveis, aqueles relacionados aos bons modos, a educação.
Percebo uma geração de pais confusos, apáticos em relação à educação dos seus filhos, vá lá, educar da trabalho!!! Os pais estão deveras ocupados, uns ocupados em manter padrões sociais escravizadores, outros preocupados em se convencer que um filho não é algo tão sério assim.
Investir na educação dos filhos é, sem dúvida, o melhor empreendimento que se pode fazer, do contrário não os tenham, os filhos.
A sociedade agradece!!!
Assim me parece....
(>¨<)

domingo, 2 de março de 2008

A travessia



Fazia frio lá fora, era Julho de um ano perdido no tempo, mas não esquecido. Relâmpagos, trovões de um deus em fúria, produziam clarões nas velhas janelas. Todos haviam saído, eu estava só, a casa vazia, tão cheia de nós. Era uma menina ainda, me apeteciam os belos romances, histórias de amores impossíveis, que pensava existirem somente nos livros.
As fortes chuvas anunciavam uma enchente na pequena cidade, todos estavam as voltas com os avanços do rio. Para mim nada importava, meu coração transbordava, assim como as águas buscando abraçar o vazio.
Bastava um único sinal teu para que eu molhasse meus pés, numa noite sinuosa, de breu. Recebi teu chamado, desci as escadas, as águas já invadiam o jardim, nada temi. A fé que acalanta o coração dos amantes alimenta o destemor, joga lenha na fogueira do amor.
Corri como louca pela rua deserta, era eu, a chuva e o nosso amor, todos me guiando numa noite de horror. Sentia meus pés tocando as águas na estrada, a água estava fria e suja, meu corpo parecia congelar.
Você estava do outro lado do rio, havia uma ponte, era só eu atravessa - lá, que estaria junto a ti, no que seria uma noite sem fim.
Ao chegar à cabeceira da ponte avistei do outro lado um leão faminto, querendo a tudo devorar. Atrás do leão vi a saudade, louca em prantos dando chiliques na escuridão. Um pouco além vi o desejo, ensaiando ensejos num encontro de mãos. Finalmente mais adiante te avistei, embalavas nosso amor nos braços, protegendo-o das feras da escuridão.
A trilha sonora deste encontro era o forte barulho das águas, pareciam querer a tudo levar...
A ponte estava ali, sob o teu olhar aflito, e na indecisão dos meus pés em prosseguir.
Dei o primeiro passo, você disse: não!
- vá embora princesa, nosso amor segue a via crucis destes vilãos, quero-te viva, nem que seja repousando em outro coração.
Recuo um pouco, e grito rasgano o véu da noite:
- Que importam as pontes encharcadas, a ameaça de feras sorumbáticas, as chuvas duma noite sem fim, quando se sabe que um verdadeiro amor desconhece fim, adormece na noite de trevas para acordar num belo jardim.


( Cassiane Schmidt)

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Faces do amor


Já percorri por muitos caminhos
Paragens, avenidas, veredas e sertões.
Embriaguei-me dum vinho barato
Na letargia de algumas estações
Mas foi no seu olhar
Que meu coração resolveu aportar

Já quase morri de sede diante de fartos lagos
Mas foi no deserto dos seus beijos
Que me vi refém de meus desejos
Mergulhei sem medo nas águas agitadas da paixão
Lançando ao degredo uma senhora, chamada razão.

Estou presa agora na alcova fria da saudade
Sinto arder em meu peito as chamas da inquisição
Lembranças tuas invadem o meu leito
Tiram-me o sono, fazem doer o coração.

Sigo adiante, faço promessa, acendo uma vela,
Vejo-te até no altar de minha capela
Sinto teus braços tocarem minha alma
Esqueço das promessas de te esquecer
Entrego-me novamente a escravidão deste bem querer.

Mergulho no mar doce do teu olhar mudo
Por quantas vezes teu amor foi meu escudo
Não há saída, nem entrada,
Nem meio, nem fim.
Alguém capaz de arrancar este amor de mim.

( Cassiane Schmidt)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Único

(Texto de um amigo querido,
mestre na arte de escrever
com a alma)
Eras a luz
que inebriava todo o meu ser
toldando de amor
meu coração
antes solitário e vazio
encontransdo-se agora, iluminado,
tal qual um sol nascente.


Eras os caminho certo
que há tanto buscava
e que aliviadoo encontro
para me deixar envolver
como se fosse um céu estrelado
salpicado de miríades
de estrelas


Eras a busca final
o termo encerrado
o Universo encontrado
como um único
e verdadeiro caminho.


(Júlio Cézar Bridon dos Santos)
Livro: Momentos de Reflexão

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Equilíbrio


Equilíbrio, por que é tão difícil alcançá-lo? Por que vivemos entre os abismos, os extremos do medo e da coragem? da dor e da alegria? sejamos coerentes com a vida. Tenho aprendido que um dos caminhos que aponta este tesouro inenarrável do equilíbrio, é simplesmente sermos verdadeiros, aceitar a si próprio , sem dúvida, é a prova maior de equilíbrio.
Equilíbrio é sinônimo de simplicidade, de esforço, de auto-estima, de amor, de generosidade, de humildade, de coragem para Ser. Alguns deliciosos desequilíbrios fazem parte do crescimento, desde que eles não te ponham no chão. O desequilíbrio saudável é aquele que te desperta, que te aponta caminhos benfazejos, que te faz salivar o coração.
Por ora é isso, ultimamente venho passando por uma crise de abstinência intelectual, vivendo dias de letargia consciencial.
Shakeaspeare chamaria isso de travamento, ou coisa parecida. O mundo la fora caminha em passos largos, enquanto eu aqui, conjecturo minhas emoções, num monólogo interno de dar dó/nó. Noutros tempos nada temia, nada partia... O preço de querer é o de perder... Equilíbrioooooooo, alguém o viu por ai?
Alguns há que passam por toda uma existência sem experimentar pequenos grandes prazeres, e eles -os verdadeiros prazeres-,estão contidos nas coisas mais simples da vida, como num abraço verdadeiro, por exemplo. Mas, convenhamos que abraços verdadeiros nada tem de simples, pois o raro não pode ser considerado simples, nem o simples deve ser considerado normal.


Assim me parece...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Metade



(...)

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que eu me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui
E a outra metade não sei


Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço


Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é a canção


E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
(Composição: Oswaldo Montenegro)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

KAIUÁ "O DOM DA PALAVRA" (em guarani)



Quero compartilhar um momento muito especial vivido no último fim de semana. Preparei-me para realizar um curso de oratória durante um final de semana todo, intensivo mesmo. Confesso que não é fácil abrir mão do lazer, de estar com a familia, enfim, é preciso força de vontade e determinação. Tendo consciência da necessidade de melhoramento na arte da comunicação e expressão, decidi fazê-lo. Mas o que não imaginava é o que eu iria viver ali. Muito mais que um curso de oratória, tivemos ali uma lição de vida, de amor e vontade de viver. O professor Luis Shil nos surpreendeu com seu jeito irreverente e otimista, um verdadeiro exemplo de vida, de amor e dedicação ao trabalho. O que me chamou a atenção em especial foi a união da equipe-família Shil. A Communic é muito mais que um empreendimento de sucesso, é um lugar que abre espaço para solidariedade, para verdadeiras lições de vida.Parabéns ao casal maravilhoso - Luis e Cheila- que Deus os ilumine cada vez mais no caminho do amor e do SUCESSO!!! Além de passar um fim de semana memorável, ainda tive a alegria e a surpresa de conquistar o primeiro lugar com destaque na oratória. Mas a grande lição que aprendi, ao observar o Luis e a Cheila, o sucesso e a alegria desses anjos que Deus nos emprestou cá na terra, foi que : Não importam as dificuldades, os obstáculos foram feitos para serem superados, uma espécie de alongamento espiritual para as "pernas" tornando-nos mais fortes. E tudo que viermos a realizar dos grandes aos pequenos empreendimentos, se não estivermos amparados pelo amor, dificilmente dará certo. É o amor o veículo, o trem bala do sucesso, não é mesmo caro Shil?

Para os que quiserem conhecer pessoas de sucesso consultem a página na Web da Communic:

http://www.communic.com.br/

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

L - E - T - R - A - S


Quem és tu conselheira silenciosa, que cochicha em meus ouvidos, que vai se aninhando em minha alma, inquietando meus pensamentos, cria excitação, até o ponto de me obrigar a regurgitar no papel tuas impressões. Tuas impressões misturam-se com as minhas, e, juntas vamos dando forma as palavras.
Chego em casa e vejo letras espalhadas pelo chão, letras pelos quartos, pela sala. Escorrem pelas paredes, vertem pelas janelas. Olho meu jardim e em vez de flores, vejo letras. Elas querem falar, nascer dum olhar, duma lagrima, dum sorriso. Letras estão por toda a parte, nos vigiando, esperando para revelar o íntimo do que somos. Já no meio delas,ouço risos baixinhos, murmúrios, algumas estão molhadas, serão de lágrimas? outras brincam faceiras, soltas pelo ar.
Umas há que possuem aquele cheirinho do outono, essas são altamente inspiradoras.
Letrinhas peraltas, fogem de mim, avançam o sinal, misturam-se todas para me confundir. Poemas esperando nascer, lágrimas esperando serem narradas, amores serem proclamados, sonhos, alegrias e tristezas, todas aqui postas na minha mesa, sob a espera da pena.
(CaSsIaNe))

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Necessidade social de ler mais



Cassiane Schmidt


No século 20, o consumo e a produção de livros aumentaram progressivamente, sem dúvida a palavra escrita é considerada uma das mais importantes heranças culturais da humanidade. A palavra escrita dominou os tempos, e o livro colaborou para a universalização do conhecimento, devido à facilidade de acesso.
Mas nem sempre foi assim, até o século 15 tinha acesso aos livros somente uma pequena minoria de sábios e estudiosos que formavam a classe intelectual da sociedade (reservados em mosteiros durante o começo da Idade Média), somente eles tinham acesso às bibliotecas.
Hoje as facilidades em relação ao acesso aos livros, às bibliotecas, constituem fator importante para o crescimento intelectual, significa o livro gratuito na mão do povo, simboliza o acesso efetivo do público de baixo poder aquisitivo. Mas parece-me que na mesma proporção das facilidades nasceu o distanciamento do brasileiro com o livro. Contudo é importante ressaltar, a fim de não cometer injustiças e nem se aliciar ao radicalismo, que há alguns casos de pessoas que não lêem porque não têm dinheiro para gastar com livros, ou moram em cidades onde não existem livrarias e bibliotecas.
Pesquisas apontam que os brasileiros lêem pouco e mal. Todavia é importante destacar que o perfil dos leitores tem uma relação direta com os fatores escolaridade e classe econômica, evidenciando que, quanto maior a escolaridade, maiores são os índices de todos os tipos de leitores e que os maiores percentuais de leitores são encontrados nas classes sociais economicamente mais privilegiados.
A leitura é fundamental para o desenvolvimento intelectual do ser humano, uma leitura de qualidade representa a oportunidade de ampliar a consciência, a visão do mundo.
O desenvolvimento tecnológico contribui para agravar o abissal distanciamento do homem com o livro, isso em todo o globo. A internet com suas falsas facilidades tornou-se a patrocinadora, a madrinha de milhões de jovens semi-analfabetos, que estão desaprendendo o pouco de que sabiam escrever, e abandonando quase completamente o habito de ler. Quem não lê, não pensa, não sabe, não vive, não formula, não diferencia.
O trecho a seguir foi retirado prova de vestibular no RJ (Universidade Gama Filho) a questão proposta: Faça uma analise sobre a importância do Vale do Paraíba.
Resposta do candidato:
“O Vale do Paraíba é de suma importância, pois não podemos discriminar esses importantes cidadãos. Já que existe o vale transporte, o vale do idoso, por que não existir também o Vale do Paraíba??!!! Além disso, sabemos que os Paraíbas, de um modo geral, trabalham em obras e portarias de edifícios e ganham pouco. Então, o dinheiro que entra no meio do mês – que é o vale- é muito importante para ele equilibrar sua economia familiar”.

É lamentável pensar no futuro do nosso País ao ler tamanha barbárie, e chamam isso de pérolas? Nossos jovens estão perdidos, casmurros sem instrução, lançando-se ao degredo voluntário da ignorância.
Segundo pesquisas do IBGE o índice de analfabetismo no Brasil vem caindo nos últimos anos, no entanto a qualidade de leitura não corresponde a este índice, não basta saber assinar o nome, ler palavras isoladas entre si. Sabe-se, contudo, que é preciso muito mais para formação cultural de um povo, para efetiva compreensão global do que se lê, exige interpretação, assimilação, para a efetiva compreensão da leitura que se faz.
O contato com livro torna-se um encontro sagrado, comprometimento cultural, é possibilidade de voar, de encarnar personagens, de sonhar, de manifestação, reconhecimento com aquilo que se lê.
Neste contexto, faz-se urgente a conscientização de pais e professores, pois eles irão constituir os preclaros mediadores no encontro da criança com a leitura.
A infância, terreno fértil para a formação de bons leitores depende da mediação inteligente de pais e professores. Muitas vezes a leitura é apresentada aos pequenos infantes de maneira impositiva e obrigatória, o que por sua vez, compromete a relação, o nascimento do encantamento necessário para todo bom futuro leitor. As crianças devem encontrar nos livros encantamento, liberdade, harmonia, pois assim será possível pensar em uma sociedade constituída de bons leitores, por conseguinte, excelentes escritores. A leitura é pura liberdade, a escrita maturidade.
Penso em um futuro formado por uma sociedade alfabetizada intelectualmente, que consiga refletir, pensar criticamente, abandonar a consciência ingênua, assumindo uma postura critica dentro do contexto social brasileiro. A leitura é um caminho promissor capaz de transformar a realidade, é a vacina contra a ignorância e o conformismo, este filho daquela.
Que a sociedade se transforme em um varal literário, uma sociedade composta de leitores conscientes, de bons escritores, de gente que pensa, de gente que fala, de gente que faz a diferença.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A base dos relacionamentos saudáveis


Cassiane Schmidt


Observando os maiores entraves da sociedade, os circunlóquios pelos quais enredam-se os homens numa postura individualista, elaborada numa ciranda da involução da espécie, chego à soturna conclusão de que o maior desafio e a origem de muitos problemas encontram-se na base dos relacionamentos.
No decurso natural da vida vamos criando laços, estabelecendo relações, primeiro na família, mais tarde na escola, no trabalho, vive-se sempre em meio a pessoas, neste contexto é que por vezes surgem as mais desastrosas experiências grupais. Pergunto por que tantas vezes os laços acabam se transformando em nós? A resposta sempre à mesma: imaturidade emocional para aceitar, compreender o passo do outro.
Pense caro leitor por instante, quantas pessoas já passaram pela sua vida? Quantas já partiram? , creio que este revés representa sempre oportunidade de crescimento. Convido a refletir sobre algumas pessoas que passaram pela sua vida, o que de ti elas levaram? O que delas em ti ficou? Qual a lição?
Contudo, o que realmente importa saber é a respeito da qualidade da relação que estabelecemos com o outro, pessoas são escolas, penso que o maior desafio do ser humano é a convivência. Através do contato com o outro é possível aprimorar, avaliar a capacidade de tolerância, de generosidade, de maturidade da qual dispomos, ou presumimos dispor. A vilania dos novos tempos é composta pela intolerância, pelo individualismo, pela covardia evolutiva que constitui impedimento para o crescimento pessoal e, por conseguinte grupal. A vergasta açoita a alma e o coração humano daqueles que não alcançaram à maturidade emocional, que insistem em viver lançados à inércia do egoísmo, e das falsas compensações, buscando muitas vezes se comprazer na dor do outro.
Através das experiências obtidas nos relacionamentos que estabelecemos ao longo da vida, torna-se possível perscrutar o intimo da alma, descobrindo nossos limites, posturas emocionais rígidas, doentias, mas não basta apenas descobri-las, é preciso superá-las.
Os desafios são muitos, estamos frente a uma sociedade tisnada pelo abandono da ética, do amor ao próximo. Falar em amor ao próximo?, creio ser piegas nos novos tempos, esta caindo em desuso.
O homem da caverna do século 21 sai à luta, escravo de padrões sociais escravizadores não consegue encontrar a felicidade em lugar nenhum, egocêntrico que é não tem olhos senão para seu umbigo. “O egoísmo extremo pode levar a exaustão psíquica, energética e emocional” (Revista Plantão; Ano II, nº.5t, Maio/Junho; 2002).
A grande carência vigente esta na inabilidade de estabelecer relacionamentos, a intolerância assume força nos núcleos familiares, afetivos, sociais e profissionais. Há pessoas que perderam a noção de cordialidade, de educação e respeito ao próximo, para conseguirem o que desejam são capazes de tudo, simplesmente desconhecem limites! Vão deixando um rastro de desafetos e cicatrizes emocionais por onde passam.
O maior mandamento deixado pelo Cristo foi o amor, Ele deixou um belo legado impresso nas entre linhas da frase: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” (Jo 15, 12). Mas o amor aqui mencionado não e aquele dito da boca para fora, e sim um amor verdadeiro, carregado de responsabilidade, de caridade, de paciência com o próximo.
O grande erro do homem é querer atingir o cume da montanha, sem antes passar pela aventura, pelo esforço, pelo desafio da escalada. Uns há que pisam na cabeça dos outros para mais rápido chegarem. Tolos, para estes o cume se porá sempre mais alto, mais longe. Enquanto o afeto une o desafeto ata.
A base para o sucesso pessoal, profissional, na cordura das ações que estabelecemos com o outro, encontra-se na qualidade das relações que estabelecemos, criando círculos emocionais saudáveis e benfazejos.
A saúde emocional é a chave que liberta o homem da prisão lúgubre que algema sua alma. Procure aceitar as pessoas como elas o são, isto não significa que você deve abrir mão dos seus princípios, dos seus pontos de vista, significa apenas que você é generoso com a opinião, com a formação do outro.
Adote uma postura mental mais flexível, não julgue, não crie desafetos desnecessários, eles só irão comprometer o teu caminho. Faça a sua parte, lembre-se que um auto-exemplo vale mais que mil tentativas de explicação. Aprenda a sutil diferença entre discordar e dissentir. O resgate das relações afetivas saudáveis é a sirene nos chamando a acordar para um novo tempo, onde as pessoas possam viver numa relação saudável e otimista, onde a cooperação mútua encontre espaço para germinar nos corações humanos.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2008


Um anjo faz cachoeira em meu telhado,
Cansada do aguaceiro, digo: anjo vai chorar em outro cercado.
O anjo intrigado responde-me: não são lágrimas, é apenas chuva...


Faltou dizer...

Que os céus parem de derramar aos prantos tamanho aguaceiro, espero anciosa pelo vinda do sol no meu terreiro.
Particularmente fico deprimida nesses dias de chuva, enquanto outros longe de mim mofam...

Au Revoir

Vigília da alma...

Espreita-me ao longe uma sombra chamada tristeza,
Convida-me, insiste que em coma em sua mesa.
Quer meu pranto levar para sua correnteza.

Espreita-me ao longe um vulto chamado solidão,
Convida-me, insiste que eu pegue em suas mãos.
Quer minha alma prender na escuridão.

Avisto ao longe uma luz chamada alegria,
Convida-me, insiste que eu prove de sua magia.
Quer fazer do meu sorriso sua moradia.

Avisto ao longe um velho senhor,
Convida-me a ser novamente criança.
Pergunto: quem és tu que não rimas em minha poesia?
Responde-me: sou o amor.

Amor,
Como prova de minha alegria
Dar-te-ei meu coração
Para que juntos, tu e eu,
possamos compor uma nova oração.

( Cassiane Schmidt)

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Exílios do coração



Minha alma possui mistérios
Onde reinam segredos
Do amor faço meu império
Da fé a superação dos medos.

No olhar puro da criança descobri a candura
No grito de medo a dor
Quiçá existisse somente a ternura
A vida seria assim tão pura como um uma flor.

Meu sonho não tem fronteiras,
E por eles pretendo lutar
Como Joana D´Arc guerreira
Hei da vitória alcançar.

Meu coração possui um altar sagrado
Nas noites sem fim uma oração me conduz
Que saudade sinto de meu amado
A esperança fatalmente seduz
Meu coração possui um altar imaculado
O segredo é só meu, esta sacramentado.

O amanhecer traz consigo as lembranças
O poeta longe de mim regurgita suas esperanças
Distante, carrega no peito um amor como herança,
Na memória a saudade de sua amante.
Vidas que se foram, o sonho em mim se perpetua
A paz que acalanta minha alma diz-me:
Um dia serei novamente tua.



( Cassiane Schmidt)

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Outonos de minha infância...


Das janelas envergadas de minha infância,
Avisto ao longe um tempo chamado esperança,
Guardado no sepulcro imortal das doces lembranças.
A vergasta cruel do tempo furtou-me a mocidade
Lançando-me ao degredo da mórbida saudade.
Suplico com veemência,
Afasta-se de mim velha imperfeita do tempo,
Teu nascimento criou descompasso,
Tirou-me do passo das inocentes cirandas


Sinto o cheiro das laranjeiras,
Ouço o barulho do vento descabelando o velho pé de ingá,
Fazendo suas folhas no céu azul bailar
Borboletas riscam o cenário com sua beleza,
Flertando com as flores, num arrojo de encantar.
Como é doce o licor da saudade de minha infância,
Enchem-me de torpor os sentidos,
Formando quimeras em abundancia.


O tempo livre de outrora aprisiona um pequeno anjo sem asas,
O berço do passado revela velhas cantigas,
Que embalam o pobre anjo no acorde de suas rimas.
Naquele lugar ainda vagueiam perdidos os vaga-lumes,
Os mesmos que iluminaram noites órfãs de lua.
O silencio faz barulho em meu peito,
Revelando a verdade que se apresenta nua,
Toca-me a face o beijo da noite, o beijo do medo.


Sinto o cheiro de terra molhada,
Em que meus pés um dia deixaram pegadas,
Ao longe ecoam os sinos da velha igreja,
Estão brindando, ou a vida, ou a morte,
Alguém lançado a própria sorte.
Vejo minha face estampada nas fachadas do tempo,
Meus pés descalços perdidos ao relento.


Quanto mais longe consigo ir,
Mais perto estarei do que fui, do que sou.
E quando cansada, exausta de mim, voltarei a sonhar.
Juntarei os cacos de vidro de velhos porta-retratos.
A paisagem então ficara mais clara,
Saberei onde meus braços irão repousar.


Os caminhos que me guiaram até aqui,
Guardam meus passos, meus charcos, meus laços,
Fios de cabelos presos nas arvores de jardim,
Sabem tanto de mim,
Embalaram-me nos veios do acalanto,
Guiaram-me pelos arrabaldes do encanto.
Onde estas? Onde estou?
Presa nas folhas de um outono em pranto,
Prostrada no altar sagrado do que de mim restou.



(Cassiane Schmidt)